Subsecretaria da Pessoa com Deficiência
Secretaria debate sexualidade das pessoas com deficiência

Debate sobre a sexualidade das pessoa com deficiência


29/03/2010 16:53:00  » Autor: João Rocha


Aconteceu no dia 11 de março na Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPD) a palestra “A Pessoa com Deficiência e a Sexualidade”. O evento, que faz parte da semana comemorativa do Dia Internacional da Mulher criado pelo Núcleo Integrado de Atenção à Família (NIAF), abordou temas como sexualidade dos jovens com deficiência, câncer de mama e abusos sexuais sofrido por crianças com deficiência. A palestra contou também com o relato de Georgette Vidor, que falou sobre as mudanças em sua vida depois do acidente que sofreu em 1997.

 

Além de Georgette, que é coordenadora geral do Projeto "Esporte Para Todos" e supervisora geral das arenas de ginástica artística da academia BodyTech, também foram convidados a professora Rosana Glat, doutora em psicologia e autora de vários livros sobre deficiência, o fisioterapeuta Cláudio Lacerda, do Instituto Oscar Clark, especializado na área de fisioterapia em mastologia e a juíza Thelma Fraga, da 1ª Vara Penal de Jacarepaguá.

 

Durante 13 anos, a treinadora Georgette Vidor, preparou atletas brasileiras da ginástica olímpica. No dia 29 de maio de 1997, o ônibus em que viajava junto com a equipe do Flamengo foi atingido por uma carreta na Rodovia Presidente Dutra. A então treinadora ficou paraplégica depois de sofrer uma grave lesão na medula. Foi aí que começou a sua luta para se adaptar a nova condição e provar às pessoas que ser cadeirante não lhe impedia de ser a profissional que sempre foi. Além das dificuldades profissionais, teve de se redescobrir como mulher. Após três casamentos que não deram certo, Georgette reencontrou, 28 anos depois, o primeiro namorado. Nessa relação, que já dura nove anos, ela pode então redescobrir a sua feminilidade.

 

- Eu tive que me descobrir como mulher de outras maneiras. Encontrar em mim mesmo outros atrativos para atrair o outro além da beleza. Achar e usar outros encantos que todo mundo tem. Afirmou Georgette.

 

A professora Rosana Glat, pesquisou um grupo de 49 jovens entre 15 e 25 anos e concluiu que a sexualidade da pessoa com deficiência tem sido ignorada ou tida como menos importante, comparada a outros problemas que  têm de superar, como a reabilitação. No entanto ela afirma que o que faltam a essas pessoas é a orientação dentro de casa dada pelos pais e das instituições de ensino. Os desejos e o despertar sexual, se comparado com as pessoas sem deficiência, são normais:

 

- Muitos pais super-protegem e infantilizam seus filhos e esse pensamento tem que ser mudado, já que os jovens vão ter o desejo sexual despertados na adolescência, independente da deficiência que tenha, eles têm que ser orientados sobre o assunto. Sexo deve deixar de ser tabu dentro de casa e nas escolas.

 

Foi o que relatou também a Juíza Thelma Fraga da 1ª Vara Penal de Jacarepaguá. Ela ouviu relatos de crianças e adolescentes que foram abusadas sexualmente e não tinham noção disso. Quando se explicava a eles o que lhe faziam, as crianças se assustavam.

 

- Não discutir sexo dentro de casa e nas escolas, levam as crianças a confundir sexo com namoro. Elas não possuem discernimento sobre sexo e se chocam quando descobrem que foram vítimas de um abuso. Já ouvi casos de pessoas que não tinham noção alguma do que era sexo. O Jovem que possui uma deficiência vai gostar e sentir prazer, mas não tem discernimento do que é e do que pode ser feito. Se alguém abusar, não saberão que é errado e não relatarão para ninguém, pois não houve um estranhamento.

 

Já o fisioterapeuta Cláudio Lacerda falou da prevenção do câncer de mama, para que não ocorra a mastectomia, fazendo um alerta a todas as mulheres.

 

- Levando em conta que essas pessoas já fazem seus exames preventivos, independente da idade, apesar da incidência de câncer de mama em mulheres com menos de 30 anos serem baixas, elas devem fazer os exames periodicamente. Entre 40 e 49 anos, deve ser feito uma ultra-sonografia da mama pelo menos uma vez ao ano, e entre 50 e 69 anos, uma mamografia a cada dois anos.

 

Cláudio Lacerda deu ainda mais um alerta: - As pessoas devem evitar o fumo e consumo de bebidas alcoólicas, optar por uma alimentação e vida saudáveis, além de fazer os exames médicos com freqüência. Isso tudo ajuda a prevenção do câncer de mama.

 

Ao final da palestra, o público pode fazer perguntas aos palestrantes e a professora Rozana Glat sorteou seis livros, “Ser Mãe: e viva a vida” de sua autoria.


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