Restaurantes populares enfrentam a pandemia com ingrediente a mais nas receitas: empatia

17/04/2020 11:54:00


Nas unidades de Bangu, Bonsucesso e Campo Grande, os funcionários chegam antes das seis da manhã para preparar as refeições do dia





Restaurantes populares vencem as dificuldades, mas não deixam as panelas vazias. Em tempos de quarentena e prevenção de contaminação pelo coronavírus, chefs, auxiliares de cozinha, serviços gerais e demais funcionários enfrentam a distância entre o trabalho e a residência, para entregar diariamente centenas de cafés da manhã, a 0,50 centavos, almoços e jantares, a dois reais, cada, que garantem alimentação de qualidade com preço baixinho a tantas pessoas.


 
"É muito gratificante acordar todos os dias e vir realizar um trabalho tão importante, em especial, nesse momento difícil como o que estamos vivendo. Mesmo tendo que encarar o medo desse vírus, todos nós sabemos que estamos fazendo bem a tantas pessoas que precisam", conta Flávia Costa, nutricionista de uma das unidades.


 
Desde que a pandemia começou a mudar a rotina de todos, os restaurantes populares não deixaram de funcionar. O primeiro café da manhã é servido, pontualmente, às seis horas. O mesmo acontece com o almoço e o jantar. Sempre servidos na hora certa.


 
Heróis da Resistência

O esforço, a dedicação e a solidariedade das 119 pessoas das equipes dos três restaurantes garantem a comida na mesa para milhares de pessoas, de domingo a domingo. São trabalhadores que formam uma perfeita Liga de Heróis da Resistência.  

Sérgio Lyra, chef do restaurante popular de Bangu, desde que a unidade foi municipalizada, em 2017, morador do bairro da Taquara, em Jacarepaguá, prepara refeições para mais de  duas mil pessoas, diariamente.
E não há nada que faça as receitas do chef desandarem.

"O momento é difícil, mas se cada um fizer a sua parte, vamos vencer e tudo isso vai passar", diz, confiante.

O funcionamento e os horários de trabalho mudaram. Desde o dia 25 de março, os restaurantes passaram a abrir,  de 17h às 20h para o jantar, e nos fins de semana, de 11h às 14h, para a venda de quentinhas. A rotina mudou, mas todos entenderam a necessidade e se reorganizaram. Resultado: os pratos saborosos e saudáveis continuam sendo o carro-chefe. Ninguém erra a mão.



"Todos acreditam que esse momento difícil vai passar", reforça Flávia.

Muitas pessoas das equipes levam mais de uma hora no trajeto entre a casa e o trabalho, mas chegam antes das seis da manhã para colocar a mão na massa.

"O sabor de ver tanta gente se alimentando bem, com uma comida saudável e pagando um precinho bem pequeno vale o nosso esforço", ressalta o chef.

Em cada tempero, em cada receita, vai uma pitada de carinho. O cheirinho da comida dá água na boca, invade o salão, os frequentadores saboreiam, elogiam e deixam o fantasma da fome para trás.

É aí que todos entendem que não é à toa que sabor rima com amor.

Medidas contra o coronavírus

Os funcionários dos restaurantes controlam a distância das pessoas nas filas, respeitando o espaço de, pelo menos, um metro. As filas estão são  do lado de fora das unidades e a entrada controlada para evitar aglomerações. Também há controle de lugares das mesas, sempre pulando um banco de uma pessoa para outra.

Além disso, é feita orientação a todos os usuários sobre a higiene das mãos, estimulando cada um a lavá-las, antes e depois, de fazerem as refeições, além da utilização do álcool gel, que está disponibilizado em todo o salão.
Além disso, há a divulgação de áudio interno e cartazes com medidas de assepsia.