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Do tatame para o mundo: atletas do GEO Caju têm desafios internacionais

09/04/2018 11:04:00  » Autor: Fotos: Hélio Melo/SME


Acostumados aos desafios da vida desde pequenos, Kauã William Martins Menezes, de 15 anos, Gabriel Teles do Nascimento, de 16, Maria Elizabeth Silva, 17, e Gabriel Marin, de 16 anos, optaram por conquistar seus espaços no mundo pelos tatames, através da Luta Olímpica. Com determinação e a ajuda de incentivadores como o professor de Educação Física Fabrício Xavier, do Ginásio Experimental Olímpico (GEO) Felix Mielli Venerando, o Ginásio Olímpico do Caju, eles vêm vencendo adversidades e adversários.

 

Alunos e ex-alunos da unidade escolar que lhes deu a perspectiva de vitórias através do esporte, eles conquistaram recentemente o direito de participar de competições importantes: o Campeonato Pan-Americano da Guatemala, em agosto, que classifica para os Jogos Olímpicos da Juventude, em outubro, na Argentina; e o Campeonato Mundial Escolar, em maio, no Marrocos. Agora, eles lutam não apenas para conquistar as medalhas, mas também por uma chance para poder ir buscá-las: estão em busca de patrocínios.

 

"Eles têm um enorme potencial. São dedicados, querem ser campeões. O esporte vem mudando suas vidas", atesta Fabrício, que dá aulas de Luta Olímpica no GEO Caju e é assessor de Desporto Escolar e Universitário da Federação de Luta Olímpica do Rio de Janeiro.

 

Dedicado, o educador não mede esforços para ajudar os atletas. Que o diga Gabriel Teles do Nascimento. O jovem campeão, criado no Parque Boa Esperança, comunidade do Caju, nas vizinhanças do GEO, não esconde a gratidão pelo professor, a quem chama de pai, mesmo na frente de "seu" Luciano Silva do Nascimento, seu pai biológico, catador de PET.

 

"Até hoje o Fabrício me dá oportunidades. Não tinha cabeça de campeão, mas ele, a escola, amigos e pais me ajudaram e fui crescendo na luta. A luta me trouxe disciplina, me ajudou a conhecer outros estados, pessoas. Me ajudou a olhar mais bonito para o futuro", diz Gabriel que hoje treina no CEFAN com a seleção brasileira, cursa o 1º ano do Ensino Médio, mas não deixa de frequentar sua segunda casa, o GEO.

 

Embora sem dinheiro para custear sua viagem para a Guatemala, o atleta segue esperançoso de chegar naquele país e ganhar uma medalha para oferecer à memória da mãe, morta em dezembro.

 

"No dia do enterro dela não pude abrir o caixão, mas prometi a ela que me tornaria um atleta", revela ele, que ajuda o pai na coleta e limpeza das PETs vendidas para o sustento da família. 

 

Parceiro de treinos no GEO, Kauã William Martins Menezes, 15 anos, aluno do 9º ano, é outro a sonhar com a carreira esportiva. Morador do Parque Arará, em Benfica, o jovem também sonha com medalhas na Guatemala, que também pretende oferecer à memória de  seu pai. A perda ainda traz lágrimas aos olhos do pequeno lutador, mas a aparente fragilidade some tão logo começa a fazer planos.

 

"Pretendo seguir no esporte. Fazer Medicina ou Educação Física, acompanhando sempre o esporte", diz o guri, caçula da família e que ajuda o irmão a vender hambúrgueres para comprar seu material de treino.

 

Aos dois parceiros de GEO, se junta a arretada Maria Elizabeth Silva, de 17 anos. Outra lutadora campeã que nasceu na escola e também não abre mão de voltar ao tatame de lá. Também moradora de comunidade vizinha da Felix Mielli Venerando, onde estudou por quatro anos e descobriu o esporte, a jovem é vice-campeã pan-americana. Filha de nordestinos, ela conta que até hoje a mãe não vê sua carreira de lutadora com satisfação. Queria uma filha em esporte mais feminino. 

 

"Eu gosto de lutar. E a descoberta do esporte no GEO foi fundamental. Mas nem por isso perco a vaidade. Adoro me arrumar e usar maquiagem", diz a medalhista que também precisa de ajuda para seguir em frente. 


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