Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro

 

 


 

Prefeitura leva projeto “Papo de Rua” a usuários de crack no Complexo da Maré

14/08/2014 08:00:00  » Autor: Flávia David / Fotos: Victor Santos/SMDS


A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) realizou, na tarde desta quarta-feira (13/08), uma iniciativa inédita junto a usuários de crack nas comunidades Parque União e Nova Holanda, no Complexo da Maré. O projeto “Papo de Rua” levou assistentes sociais, psicólogos e agentes de saúde para conversar com essas pessoas, que tiveram a oportunidade de expor seus medos e necessidades. A partir deste primeiro encontro, mais um espaço de diálogo entre Prefeitura do Rio e a população em situação de rua local, serão implantadas ações para que eles se sintam acolhidos e possam viver com dignidade.
 

O subsecretário de Proteção Social Especial, Rodrigo Abel, comandou o bate-papo, que também reuniu representantes do Centro de Atenção Psicossocial (CAPs) Miriam Makeba, da Secretaria Municipal de Saúde; da Associação de Moradores do Complexo da Maré e do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) Stela Maris.
 

- Queremos aproximar o poder público e suas políticas daqueles que devem ser seus beneficiários. Estamos na quarta edição e posso dizer que se trata de uma experiência em que aprendemos mais do que ensinamos. Para nós, é uma grande vitória chegar aqui e estabelecer uma relação. Isso mostra o quanto a nossa estratégia de fortalecimento de vínculos é acertada - afirmou o subsecretário, acrescentando que esse tipo de abordagem é fundamental, pois não se pode impor padrões de comportamento a quem possui resistência a imposições:
 

- Precisamos estabelecer um pacto de convivência e de confiança que não se estabelece no mesmo dia. É um longo trabalho.
 

A psicóloga e gerente do projeto “Papo de Rua”, Diana Ribeiro, disse que o encontro foi solicitado pelos próprios dependentes:
 

- Apesar de todos os problemas que os envolvem, eles sentem uma necessidade imensa de serem ouvidos, de serem tratados com carinho. Nossa principal missão é desmistificar o que se pensa e o que se diz a respeito dessa população que usa todo o tipo de drogas, não apenas o crack. São pessoas que, antes de chegarem à condição de uso abusivo, passam por outras violações de direito que precisam ser atendidas. A partir desse projeto, vamos até essas pessoas para pensarmos, junto com elas, as estratégias para que possam desejar ter uma condição de vida melhor.

 

No local, a equipe da prefeitura apresentou ao grupo as ações já existentes na região, entre os serviços da SMDS e da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Um dos usuários mais participativos na roda de conversa, Robert peregrinou por vários bairros da cidade até chegar à Maré. Aos 18 anos, estudou até o 3º ano do ensino fundamental e faz bicos como pedreiro. Há sete anos usa crack e vê nos projetos da SMDS uma porta de saída para a situação em que vive:
 

- A presença da prefeitura aqui é sensacional. Ajuda muito. Nós gostamos dos assistentes sociais e eles gostam da gente.
 

Também usuário de crack há sete anos, Júnior tem 27 anos e mora no Rio desde criança, quando veio com sua família de Recife (PE). Durante o encontro, ele foi um dos porta-vozes dos dependentes químicos, e afirmou que, pesar do comprometimento da SMDS, ele acredita que as ações devem ser “vias de mão-dupla”.
 

- Não basta o auxílio do governo, nós também precisamos nos ajudar, tentando manter as condições de higiene do local onde ficamos - disse ele, que durante o bate-papo solicitou material de limpeza e de higiene pessoal.


Representantes de organizações não governamentais como o Observatório de Favelas e a Redes da Maré também participaram do encontro. Os usuários foram convidados pelo coordenador técnico do Centro de Atenção Psicossocial (CAPs) Miriam Makeba, Dr. Daniel Elia, a participar de um almoço, na próxima quarta-feira, na unidade. Ao serem informados de que, no local, receberiam atendimento e kits de higiene bucal, todos aceitaram prontamente o convite.
 

 

Desde de fevereiro de 2013, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) atua nas cenas de uso de drogas das comunidades do Complexo da Maré, como também no Jacarezinho, com o projeto Proximidade. Com o objetivo reverter a situação dos usuários de crack que estão nas ruas do Rio de Janeiro, já realizou 4.099 atendimentos e 2.122 acolhimentos. De 2ª a 6ª feira, de 8h às 17h, equipes percorrem, a pé ou de van, as cenas de uso. Após compreender a demanda, os assistentes sociais passam a atuar na busca do tratamento junto com os usuários de drogas. Todos os usuários que aceitam deixar as ruas são atendidos pela rede de proteção social da Prefeitura do Rio, que inclui acolhimento, tratamento ambulatorial contra dependência química, encaminhamentos para retirada de nova documentação, entre outras ações.

 

 


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