Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro

 

 


 

Prefeitura promove ação social para usuários de crack

20/08/2014 15:36:00  » Autor: Flávia David / Fotos: Ricardo Cassiano


A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) realizou nesta quarta-feira (20/08) uma ação de cidadania voltada às pessoas em situação de rua usuárias de crack, com uma oferta de diversos serviços, no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPs AD) Miriam Makeba, em Bonsucesso, Zona Norte da cidade. A ação do projeto Proximidade atende aos desejos expressados pelos dependentes químicos durante o projeto Papo de Rua, realizado no último dia 13, na cena de uso de drogas da comunidade Nova Holanda, que integra o Complexo da Maré.

 

Durante a ação, que contou com a parceria da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), foram oferececidos aos usuários curativos, aferição de pressão arterial e nível de glicose e atendimento para encaminhamento a tratamento do uso abusivo de drogas. Os participantes, que ganharam almoço da direção da unidade, também assistiram às apresentações artísticas do Projeto Circulando.

 

O diretor do CAPs Miriam Makeba, Dr. Daniel Elia, afirmou que o objetivo principal do projeto é integrar os usuários aos serviços de saúde e assistência social do território de abrangência do Complexo da Maré.

 

- Esperamos, com a atividade de hoje, ampliar o acesso da população usuária de crack aos serviços que a Prefeitura do Rio oferece. Posso dizer que se trata de um processo duradouro de insistência para que eles se tratem - disse Daniel, acrescentando que o CAPs realiza, além de atendimento médico e psicológico, oficinas e acolhimento noturno para os casos mais graves, além de ser um espaço de convivência.

 

À frente do projeto Proximidade, a psicóloga Diana Ribeiro informou que os usuários mais graves seriam acolhidos no CAPS ainda hoje: 

 

- Por se tratar da primeira ação após o Papo de Rua, optamos por uma programação que vai durar a tarde toda, uma vez que são muitas pessoas a serem atendidas. Dessa maneira, conseguiremos tratar da questão da saúde de forma mais abrangente. Além dos exames, teremos uma série de atividades para estreitar os vínculos entre eles e o poder público, além do fato de que, enquanto estão aqui, essas pessoas não estão se drogando.

 

Entre os atendidos na unidade de saúde, um dos mais empenhados em deixar o vício é Sandro Lopes Pinheiro, de 42 anos. Ex-funcionário concursado da Receita Federal, ele viu sua vida ruir a partir do dia em que experimentou o crack. Acompanhado pela unidade há cerca de dois meses, Sandro conseguiu um emprego e atua como motorista em uma empresa de alimentos.

 

- Minha vida começou a mudar quando conheci o Proximidade. Sou acompanhado diariamente por uma equipe sempre disposta a me ajudar quando preciso. Posso dizer que esse projeto é a minha base. Não sei onde estaria hoje, muito menos o que estaria fazendo, se não fosse atendido pela prefeitura - disse. 

 

Ex-proprietário de um salão de beleza, Jorge Augusto, de 25 anos, também espera recuperar tudo o que perdeu após se envolver com as drogas. Um dos mais animados na atividade de hoje, ele pediu o microfone a uma das asistentes sociais e cantou sucessos da MPB, sendo muito aplaudido por seus amigos.

 

- Sou atendido há quatro meses e parei de usar drogas. Esse projeto me dá forças para que eu resista às recaídas. Achei a atividade de hoje fantástica para que os usuários não vejam o CAPs como um bicho de sete cabeças, mas um espaço aberto pra recebê-los e apoiá-los - falou o cabeleireiro, que procura, cada vez mais, levar seus amigos de rua para conhecer o local. Ele também espera retomar o salão, que fica em Higienópolis.

 

Desde fevereiro de 2013, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) atua nas cenas de uso de drogas das comunidades do Complexo da Maré, como também no Jacarezinho, com o projeto “Proximidade”. Com o objetivo reverter a situação dos usuários de crack que estão nas ruas do Rio de Janeiro, já realizou 4.099 atendimentos e 2.122 acolhimentos.

 

De 2ª a 6ª feira, das 8h às 17h, equipes percorrem, a pé ou de van, as cenas de uso. Após compreender a demanda, os assistentes sociais passam a atuar na busca do tratamento junto com os usuários de drogas. Os que aceitam deixar as ruas são atendidos pela rede de proteção social da Prefeitura do Rio, que inclui acolhimento, tratamento ambulatorial contra dependência química e encaminhamento para retirada de nova documentação, entre outras ações.


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