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Pão de Açúcar

Viagem de bondinho descortina paisagens únicas


30/01/2010 13:42:00


Idealizado em 1908 pelo engenheiro brasileiro Augusto Ferreira Ramos e inaugurado no dia 27 de outubro de 1912, o bondinho do Pão de Açúcar fez 90 anos em 2002. Primeiro teleférico instalado no Brasil e terceiro no mundo, é um dos mais importantes ícones do turismo carioca, tornando-se uma das principais marcas registradas da cidade do Rio de Janeiro. Desde sua inauguração até a data do aniversário, o teleférico transportou 31 milhões de turistas. Nos meses de dezembro, janeiro, fevereiro e julho – de alta temporada – a freqüência diária chega a três mil pessoas.
Nestas nove décadas de funcionamento, o bondinho recebeu a visita de turistas de todos os cantos do mundo, dentre os quais, personalidades, autoridades e artistas, como Einstein – que lá esteve em 1925 -, os ex-presidentes dos Estados Unidos, John Kennedy, do Brasil, José Sarney, e da Polônia, Lech Walesa; os cantores Roberto Carlos e Sting; os jogadores Ronaldinho e Romário; os atores Roger Moore e Robert de Niro; as atrizes Gina Lolobrigida, Brooke Shields e Sônia Braga, e muitos outros famosos.


Segurança

Considerado um dos mais seguros do mundo pelas entidades internacionais de teleféricos de passageiros, há 90 anos o bondinho do Pão de Açúcar circula sem ter registrado nenhum acidente com vítimas. As atuais linhas são dotadas de dispositivos de segurança, com alarme em todos os pontos.


Diariamente pela manhã, antes de receber os primeiros turistas, os bondinhos saem numa viagem de vistoria. O percurso é todo programado e controlado por equipamento eletrônico, que verifica 47 itens de segurança.
O complexo turístico é formado por três estações – a da Praia Vermelha, Morro da Urca e Pão de Açúcar – interligadas por quatro bondinhos – dois no trecho Praia Vermelha/Morro da Urca e dois no trecho Morro da Urca/Pão de Açúcar. O Morro da Urca tem 220m de altura e o do Pão de Açúcar, 396m.


Vegetação rara

Cercado por uma vegetação característica do clima tropical, com resquícios de Mata Atlântica, possui espécies nativas que em outros pontos da vegetação litorânea brasileira já foram extintas, e também raras espécies vegetais, como a orquídea “laelia lobata”, que só floresce em dois locais no planeta: no morro do Pão de Açúcar e na Pedra da Gávea, ambos no Rio de Janeiro. Montanha brasileira com o maior número de vias de escaladas (até 1997 existiam 38), o Pão de Açúcar recebe diariamente centenas de alpinistas, montanhistas e ecologistas brasileiros e estrangeiros.


Pólo Cultural

Além de marco turístico e ecológico da cidade do Rio de Janeiro, o complexo também foi um importante pólo cultural. Na década de 70, passou a abrigar no anfiteatro do Morro da Urca – chamado “Concha Verde” – shows musicais que lançaram grandes talentos da música brasileira, numa programação que chegou a reunir 50 mil pessoas por ano. A Concha Verde também foi palco de badalados bailes carnavalescos, entre 1977 e 1987, como o internacionalmente famoso “Sugar Loaf Carnival Ball”. Atualmente, o anfiteatro recebe exposições de artes, conferências de empresas, coquetéis de lançamento de produtos, jantares e festas.


Desafio à engenharia

A história do bondinho está diretamente ligada ao desenvolvimento da cidade: seu idealizador, Augusto Ferreira Ramos, imaginou um caminho aéreo até o Pão de Açúcar ao participar, em 1908, de uma exposição na Praia Vermelha em comemoração ao centenário da abertura dos portos às nações amigas.


Com um capital inicial de 360 contos de réis, foi fundada então a Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar e, em 1910, foi iniciada a construção do primeiro teleférico brasileiro. “Na obra trabalharam brasileiros e portugueses com equipamentos e materiais alemães, que foram transportados para o alto dos dois morros por centenas de operários realizando perigosas escaladas, numa ousada operação para a engenharia da época”, destaca Maria Ercília Leite de Castro, diretora geral da empresa.


O trecho inicial, entre a Praia Vermelha e o Morro da Urca, numa extensão de 575m, foi inaugurado em 27 de outubro de 1912, quando 577 pessoas subiram ao morro da Urca no bondinho de madeira, com capacidade para 24 pessoas. No ano seguinte, em 18 de janeiro de 1913, foi inaugurado o trecho morro da Urca/Pão de Açúcar, com extensão de 750m.
Em maio de 1969, já sob a administração do engenheiro Cristóvão Leite de Castro, a Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar, através de contrato assinado com o Governo da Guanabara, teria que duplicar a linha aérea, que passaria a ser servida por dois bondinhos. A empresa resolveu, então, instalar novo e moderno teleférico, com quatro carros, cada um com capacidade para 75 pessoas. A obra, orçada em US$ 2 milhões, exigiu o desmonte de três grandes blocos de pedra do alto do Pão de Açúcar, pesando mil toneladas, e durou dois anos para ser concluída. No dia 29 de outubro de 1972 os atuais bondinhos começaram a funcionar.


Troca de cabos

Para a Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar, as comemorações pelos 70 anos do teleférico começaram em 14 de junho de 2002, quando o complexo turístico reabriu ao público, depois de 75 dias fechado para a troca dos oito cabos de sustentação dos quatro bondinhos, em atendimento às recomendações internacionais de substitui-los a cada 30 anos. O investimento da empresa nesta obra foi de US$ 852 mil.


Também foram feitas melhorias para prestar atendimento ao turista com mais qualidade: os bondinhos ganharam novos vidros e piso antiderrapante; as estações receberam nova iluminação, novo mobiliário e tratamento paisagístico.

Também as lojas foram remodeladas, apresentando com qualidade os produtos oferecidos aos visitantes. Um exemplo é o restaurante Estação Gourmet, acomodado num deque suspenso. Com menu assinado pela chef Cláudia Vasconcellos, o bistrô convida a apreciar uma das mais belas paisagens do Rio enquanto se degusta uma caipirinha frozen ou uma taça de vinho. Para acompanhar, sanduíches e pestiscos. Já aqueles que escolherem o sábado para visitar o cartão-postal encontrarão no cardápio do restaurante uma deliciosa feijoada.

 

A empresa adquiriu ainda cinco plataformas para acesso de deficientes físicos às estações, a um custo total de R$ 190 mil, e assim que os órgãos públicos competentes aprovarem o projeto, a previsão é de instalação em dois meses.
 


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