Crianças internadas mantêm rotina de estudos nas classes hospitalares
07/11/2017 15:14:00
Está na Constituição Federal: a Educação é um direito social de todos os brasileiros. Até quando o estudante precisa ficar internado por causa de algum problema de saúde; nesse caso, ele dará prosseguimento aos estudos em uma classe hospitalar. No município do Rio de Janeiro, a Secretaria Municipal de Educação (SME) mantém convênio com 10 unidades de saúde, onde esses espaços de aprendizagem são disponibilizados. Uma delas é o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio. Uma classe hospitalar funciona como qualquer escola da rede municipal: de segunda a sexta, com horários de aula definidos. Toda criança internada na unidade pode frequentar as aulas, mesmo que elas não estudem na rede municipal. O único pré-requisito é que o aluno seja liberado pela equipe médica para frequentar a sala de aula – em alguns casos, as lições são ensinadas no leito do hospital.
"Atendemos, mensalmente, em torno de quarenta crianças, e adaptamos a dinâmica das aulas ao quadro clínico do aluno", explica a professora Karla Bastos.
O plano de aula é montado conforme o ano de escolarização das crianças. Sempre que necessário, a professora entra em contato com a direção da escola do aluno para saber quais conteúdos devem ser priorizados, e, em alguns casos, aplica as provas que ele estaria fazendo na escola regular. Embora esteja disponível para qualquer aluno internado, as classes hospitalares são vinculadas à Educação Especial, e os professores que integram o programa participam das formações oferecidas pelo Instituto Helena Antipoff.
Na sala de aula do Souza Aguiar, as crianças têm acesso a recursos pedagógicos como tablets, computadores e jogos, além de todo o conteúdo da Educopedia. Para complementar as atividades em sala de aula, Karla criou também o "Cinema às Sextas", quando as crianças se reúnem na sala de aula para uma sessão de cinema.
"O projeto busca aproximar as atividades desenvolvidas na classe hospitalar do que é feito rede municipal, onde existe o Cineclube nas escolas. Como a rotatividade no ambiente hospitalar é maior, o projeto acontece toda sexta. O cinema é aberto a todos da enfermaria, inclusive pacientes e acompanhantes, propiciando um momento de lazer e descontração", conta a professora.
Brinquedos auxiliam no tratamento
Em paralelo às classes hospitalares, o Souza Aguiar também criou uma sala de brinquedos, espaço pensado para uma recuperação mais saudável das crianças. A iniciativa cumpre o que foi determinado pela Lei Federal 11.104, que obriga os hospitais com atendimento pediátrico a oferecer brinquedotecas em suas dependências. De quebra, a utilização da sala ajuda a diminuir o tempo de internação dos pequenos. "Hoje temos um dia e meio a menos no tempo de internação. É um espaço que humaniza o atendimento, uma contribuição importante desde a internação até a saída da criança", afirma Cléo Lima, coordenadora técnica da Promoção da Saúde no Souza Aguiar.
A brinquedoteca do hospital funciona de segunda a sábado, e comporta todas as crianças que estão internadas. Diariamente, em média 45 crianças aliviam um pouco do estresse da internação na sala brinquedos da unidade.


