05/12/2016 16:52:00 » Autor: Flávia David / Fotos: Paula Johas
Entre as 22 Vilas Olímpicas da cidade, uma delas tem se destacado por aproveitar o clima esportivo gerado pelos Jogos Rio 2016 para incentivar seus alunos a conhecer e praticar modalidades pouco difundidas no Brasil. Em funcionamento nas proximidades do Estádio Olímpico João Havelange (Engenhão), no Engenho de Dentro, a Vila Olímpica do Encantado oferece aulas de hóquei sobre grama tendo como atletas brasileiros das seleções masculina e feminina da modalidade, que utilizaram aquele espaço como local de treinamento antes dos Jogos Olímpicos. Com duração de duas horas, as aulas acontecem nas noites de quinta-feira, das 19h às 21h.
- É um enorme legado olímpico. As pessoas acham que legado só se refere a bem material, mas na Vila Olímpica do Encantado temos um exemplo perfeito de que também pode ser humano. Ter professores desse nível, atletas olímpicos, é maravilhoso. Ganham os alunos e toda a cidade, por poder contar com profissionais de alto gabarito - disse o secretário municipal de Esportes e Lazer, Alexandre Cerruti.
Essa história começou em meados de junho deste ano, quando a Federação de Hóquei entrou em contato com a subprefeitura da região com um projeto para a utilização do espaço. A partir daí, antes do início dos Jogos, o campo foi usado para o treinamento dos atletas, que, posteriormente, passaram a dar aulas. A Vila Olímpica cede o espaço e os jogadores disponibilizam toda a estrutura para os alunos, o que inclui tacos, bolas e demais equipamentos.
- A procura tem sido boa e estamos tentando ampliar a oferta de horários - disse o coordenador técnico da Vila Olímpica do Encantado, Marcelo Araújo.

As aulas de hóquei são comandadas por atletas como Tatiana Noronha Machado, meio-campo da seleção. Além dela, a equipe é formada por outros quatro jogadores, incluindo um dos destaques da equipe masculina, o goleiro Thiago Bomfim, mais conhecido como "Taffarel". Moradora da região, Tatiana diz que o projeto na Vila Olímpica é resultado de muitas tentativas de fazer do hóquei um esporte mais popular e, com isso, atrair novos atletas para a modalidade:
- Lutamos muito por isso e está dando super certo. Contamos hoje com 15 alunos fixos, além daqueles que passam perto do campo, se interessam na hora e pedem para participar. A grande maioria chegou pela curiosidade, por ter acompanhado as partidas pela televisão durante os jogos Olímpicos e achar bacana ver os tacos e as bolinhas de perto. Nosso grande objetivo é atrair novos atletas, renovar as nossas equipes. Só posso dizer que a receptividade tem sido muito boa. Inclusive, já percebi que alguns alunos levam jeito.
Para os alunos, além da empolgação motivada pela realização dos Jogos Olímpicos, a possibilidade de se especializar em um esporte incomum foi, sem dúvida, determinante para que se inscrevessem nos treinos de hóquei sobre grama na Vila Olímpica do Encantado. Morador de Realengo, Marcus Vinícius Vilanova Gralha, de 19 anos, diz ter conhecido a modalidade durante os Jogos, quando trabalhou como voluntário. Por ter atuado na Vila dos Atletas, teve contato constante com a seleção brasileira masculina de hóquei (a feminina não se classificou para a competição).
- Tive a oportunidade de acompanhar alguns jogos e me apaixonei pelo esporte. Desde meu primeiro dia de treino, nunca perdi uma aula. Tem sido uma experiência incrível. Além da importância da prática de esportes para o bem-estar físico e mental, a possibilidade de conhecermos uma modalidade que não é muito difundida no Brasil, e sermos treinados por pessoas que praticam esse esporte, é o grande diferencial - disse o jovem.
Igualmente assídua nos treinos, a carioca Gabriela Lima Carvalho de Oliveira, de 19 anos e moradora de Bangu, teve o primeiro contato com o hóquei em 2012, durante um projeto realizado no Colégio Pedro II, onde estudava. Para ela, que já praticou outras modalidades, nenhuma se equipara à atual:
- É um esporte, que apesar de não ser popular, trabalha muito bem a coletividade, o trabalho em equipe. Para que um time avance, é fundamental o envolvimento de todos os atletas ao mesmo tempo. É realmente muito legal - disse Gabriela, acrescentando que, por se tratar de um esporte que possui semelhanças com o futebol, como a presença de gol e goleiro, vem atraindo um número grande de crianças aos treinos na Vila Olímpica.
O hóquei sobre grama é um esporte coletivo disputado por duas equipes compostas por onze jogadores cada. O jogo acontece num campo de grama artificial, no qual os jogadores usam tacos para conduzir a bola, fazer passes para os jogadores de sua equipe e tentar marcar o gol. Embora haja relatos de um esporte semelhante ao hóquei sobre grama sendo praticado na Grécia Antiga, foi somente na segunda metade do século XIX que o esporte começou a ter regras, chegando assim ao formato atual. A primeira equipe de hóquei sobre grama surgiu na Inglaterra em 1861. Em 1924, surgiu a Federação Internacional de Hóquei sobre Grama, fazendo com que o esporte ganhasse um grande impulso internacional.

As principais regras da modalidade são as seguintes: uma partida é dividida em quatro tempos de quinze minutos cada; o time que conseguir fazer mais gols durante o tempo da partida é o vencedor; e o campo oficial deve medir 91,40 metros de comprimento por 55 metros de largura. Além disso, a bola oficial é feita de cortiça e plástico, com 2,3 cm de circunferência e peso de 160 gramas. Os goleiros são os únicos que podem tocar a bola com qualquer parte do corpo. Para proteção, devem usar protetores especiais na cabeça, tronco, pernas e braços. As medidas das traves oficiais do hóquei são 2,14 metros de altura por 3,66 metros de largura. Os tacos são feitos de fibra de carbono e fibra de vidro, devendo pesar entre 350 e 700 gramas.
Nesse esporte, as principais jogadas são o Flick (quando o jogador conduz a bola com o taco, levantando-a no ar), o Push-hit (a bola é empurrada pelo jogador - muito usada para fazer gols e passes) e a Obstrução (quando o jogador usa o taco ou o corpo para proteger a bola), considerada falta.
A jogadora Daiane Miranda, de 22 anos, também descobriu o hóquei na escola, há cerca de cinco anos, e já passou por clubes como o Carioca Hóquei Clube, em Magalhães Bastos, e o Deodoro Hóquei Clube, em Deodoro. Desde 2015, integra a seleção brasileira feminina. Para ela, que atua como lateral e meio-campo e ataque, os treinos na Vila Olímpica do Encantado lhe dão um gás a mais para ajudar para alcançar o sonho de disputar os próximos Jogos Olímpicos, que serão realizados na cidade de Tóquio, no Japão, em 2020:

- Além da divulgação que se dá a um esporte tão maravilhoso, ver o interesse das pessoas pelo hóquei crescer tão rápido é emocionante. Em todos os treinos aparece gente nova, querendo aprender um pouco mais sobre o esporte. Isso nos motiva muito. Estou treinando muito para melhorar a minha atuação e trazer bons resultados para a seleção.
Em abril deste ano, a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer e Nike formalizaram uma parceria voltada a aprimorar a experiência dos profissionais que atuam nas Vilas Olímpicas e ao engajamento de crianças e jovens no universo do esporte. O acordo permitiu, entre outros benefícios, a reforma da Vila Olímpica do Encantado, que adquiriu nova identidade visual, pintura e novos equipamentos. A transformação garantiu mais conforto e segurança aos mais de 1.700 matriculados na unidade. Entre as benfeitorias, destacou-se a construção de quadra de vôlei de praia e um estúdio de dança, que também pode ser usado como auditório.
A Vila Olímpica fica na Rua Bento Gonçalves, 457, e funciona de terça a sexta-feira, das 7h às 22h. Aos sábados e domingos, o local abre para lazer entre 8h e 17h. A entrada é gratuita. Além das aulas de hóquei, o espaço oferece outras atividades, como alongamento, badminton, basquete, ballet, capoeira, caminhada, ginásticas laboral e localizada, tênis de quadra, jiu-jitsu, karatê, futsal e dança.
Mais informações sobre esta e as demais Vilas Olímpicas, bem como as atividades oferecidas em cada unidade, podem ser obtidas no site da SMEL.


