Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro

 

 


 

Hortas Cariocas levam alimentação saudável a 32 comunidades, creches e escolas do Rio

31/10/2016 12:28:00  » Autor: Juliana Romar / Fotos: Ricardo Cassiano


Geração de emprego e renda, inclusão social, segurança alimentar e diminuição dos índices de ocupação irregular são alguns dos benefícios do projeto Hortas Cariocas da Prefeitura do Rio. Criada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAC) há nove anos, a iniciativa está presente em 17 comunidades espalhadas pela cidade e 15 creches e escolas da rede municipal de ensino.

 

As hortas comunitárias empregam diretamente 92 pessoas, entre os moradores e pessoas ligadas às escolas, que, em sistema de parceria, cuidam das plantações. A produção mensal é de aproximadamente nove mil quilos de alimentos e mais de 35 mil molhos de folhas e raízes comestíves, que beneficiam cerca de dez mil pessoas que consomem as hortaliças produzidas. Entre os produtos estão alface, almeirão, couve, jiló, berinjela, bertalha, beterraba, quiabo, salsa, cebolinha, coentro, e muito mais.

 

- As hortas comunitárias buscam gerar renda aos moradores locais e oferecer gêneros alimentícios de qualidade a custo acessível. Cada horta respeita o hábito alimentar da sua comunidade, pois cada local tem o seu gosto e a sua especificidade. Além disso, os alimentos são livres de aditivos químicos e praguicidas. O adubo é feito de composto orgânico - disse o idealizador e gestor do projeto, Julio César Barros, da SMAC.

 

Parte do que é produzido é doado a escolas e creches municipais próximas, para o reforço da alimentação, e outra parte também fica disponível às famílias em vulnerabilidade social indicadas pelas associações de moradores. O restante é comercializado pelas equipes e o lucro é dividido entre os beneficiários e/ou reinvestido em equipamentos para a própria horta.

 

Como é o caso da Horta Carioca do Andaraí, na Zona Norte da cidade. Em funcionamento desde o início deste ano, a plantação reúne mais de sete tipos de alimentos variados e emprega dois moradores da comunidade. Entre os encarregados, Walker Bastos de Souza, mais conhecido como Neném, que antes exercia trabalho informal como pedreiro, destaca que hoje tira todo o sustento de sua família do plantio:

 

- Sempre gostei de plantas e adoro mexer com a terra. Comecei na agricultura há três anos. O trabalho parece fácil, mas tem toda uma técnica, um espaçamento na plantação e cuidado nas manipulações. O que eu faço aqui é muito importante para a alimentação saudável das pessoas, para ajudar a comunidade e, também, manter o ambiente limpo. Hoje os moradores já entendem que não podem jogar lixo aqui. Daqui tiro o meu sustento, pois comercializamos em uma feira na Tijuca, onde vendemos um pé de alface a R$ 2, enquanto em outros lugares estão cobrando R$ 6 - disse o agricultor, que trabalha junto com a esposa Claudia dos Santos Pinto no projeto. 

 

Ainda na mesma região da Tijuca, existem outras cinco hortas, sendo quatro nas comunidades Chácara do Céu, Borel, Salgueiro e Formiga e uma no CIEP Antoine Margarine Torres Filho.

 

A horta localizada na Comunidade da Formiga atende as creches municipais Raul Gazola e Tia Bela e a Escola Municipal Jornalista Brito Broca. Os alunos destas unidades visitam com frequência os plantios, onde conhecem os diferentes tipos de hortaliças, aprendem sobre alimentação saudável, plantam e colhem o seu próprio alimento. Além disso, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (SME), outros espaços ociosos dentro das unidades escolares também são utilizados na criação de pequenas hortas.

 

- As visitas das crianças nas hortas são muito bacanas porque elas levam alimentos colhidos na unidade escolar para a casa e incentivam os pais a comerem já que foram elas que plantaram. Dessa forma, levam a família a pensar em novos hábitos alimentares - explicou Barros.  

 

Outras hortas podem ser encontradas nas cinco Áreas de Planejamento da cidade, como nos bairros Humaitá, Urca, Cosme Velho, Catumbi e Jacarepaguá, além da do Complexo de Manguinhos, considerada a maior da América Latina, com mais de um quilômetro de diâmetro. O local ocupa um terreno baldio, antes frequentado por usuários de crack e para depósito de lixo.


Para a manutenção das Hortas Cariocas, a prefeitura fornece sementes, uniformes, ferramentas, equipamento de proteção, material para mão de obra no cultivo, equipamentos em geral e fertilizantes orgânicos. Cada colaborador recebe R$ 400 e o coordenador, responsável pelas atividades e funções administrativas, R$ 520. Os espaços destinados ao plantio são áreas públicas do município. 

 

Inspirada nas doações que recebia da Horta Carioca do Andaraí, a moradora Glaucia da Silva, de 42 anos, mantém uma pequena plantação no seu quintal com tomate, couve, aipim, cana de açúcar, alface e goiaba. Hoje, além do consumo próprio, a dona de casa ainda distribui parte dos alimentos para outros membros da família que não moram com ela:

 

- A gente foi vendo o trabalho do pessoal da horta e nos inspiramos. Hoje a gente tem uma mesa farta e não precisa mais ficar comprando porque temos tudo fresquinho no nosso quintal. É legal para manter uma alimentação saudável, além de ser mais econômico. E ainda mando coisas para as minhas filhas, mãe e irmã.  

 

Desde o início do projeto em 2007, oito Hortas Cariocas já foram emancipadas e não necessitam mais de apoio da prefeitura, como a Horta Carioca de Santa Cruz. Isso acontece quando a parte que está sendo retida para a doação é mais do que o valor da bolsa paga aos encarregados e eles preferem se autossustentar e ficar com toda a produção.




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