27/04/2015 17:49:00 » Autor: Juliana Romar / Fotos: Beth Santos
A Prefeitura do Rio apresentou nesta segunda-feira (27/04), no Instituto Benjamin Constant, na Urca, a maquete tátil oficial do Parque Olímpico da Barra da Tijuca, considerado o coração dos Jogos de 2016. A iniciativa é uma das celebrações do marco de 500 dias para os Jogos Paralímpicos, comemorado no último domingo (26/04), e tem como objetivo permitir a deficientes visuais a percepção espacial da instalação, onde serão realizadas competições de 16 modalidades olímpicas e nove paralímpicas.
Através do toque, é possível compreender o espaço do parque e os locais onde acontecem as práticas esportivas, e gerar mentalmente uma imagem. A maquete tem área de 1,3 metro quadrado, enquanto o Parque Olímpico ocupa uma área de 1,18 milhão de metros quadrados. A escala utilizada é de 1 para 750. As placas indicativas de cada localidade também possuem escrita especial em braile, que possibilitam a leitura por pessoas cegas e de baixa visão.
- Essa maquete representa um chamamento das pessoas com deficiência para compreenderem a importância dos Jogos, participarem e conhecerem os equipamentos olímpicos. As Paralimpíadas chamam a atenção das autoridades para que essa cidade possa ser mais acessível para as pessoas com deficiência e da terceira idade. Ainda não temos uma cidade ideal, mas estamos avançando através dos investimentos que estão sendo feitos pela prefeitura, respeitando a inclusão e dando acessibilidade. É o caso dos BRTs (Bus Rapid Transit), que são 100% acessíveis, e das obras de requalificação dos bairros, com implantação de rampas e de piso tátil – explicou o secretário executivo de Coordenação de Governo, Pedro Paulo Carvalho.
Uma parceria da prefeitura com a Concessionária Rio Mais, responsável por parte das obras do Parque Olímpico, a maquete foi criada após se identificar a dificuldade de entendimento de um grupo de deficientes visuais em visita ao local. A partir desta segunda-feira, ela ficará exposta por um mês no Instituto Benjamin Constant, aberta à visita do público.
Depois, a maquete será apresentada aos alunos dos Ginásios Experimentais Olímpicos Felix Mielli Venerando, no Caju; Dr. Sócrates, em Pedra de Guaratiba; e Juan Antonio Samaranch, em Santa Teresa. De lá, será transferida para a sede da Empresa Olímpica Municipal e do Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016, na Cidade Nova, onde ficará exposta junto às marcas olímpica e paralímpica dos Jogos Rio 2016.
A obra tem formato triangular, como o terreno do Parque Olímpico. Estão representadas na maquete as nove arenas esportivas (Arenas Cariocas 1, 2 e 3, Arena do Futuro, Estádio Aquático, Centro de Tênis, Velódromo, Parque Aquático Maria Lenk e Arena Rio), o Centro Principal de Imprensa (MPC), o Centro Internacional de Transmissão (IBC), o hotel e o Live Site. Para ajudar na localização também foram representados elementos do entorno imediato, como a Lagoa de Jacarepaguá, a Avenida Embaixador Abelardo Bueno e estações de BRT.
O atleta Felipe Gomes, um dos destaques do atletismo paralímpico, aprovou a maquete e disse estar ansioso para os Jogos:
- Já dá para sentir um friozinho na barriga, tateei bem a maquete e pude perceber a dimensão do Parque Olímpico. Acho que será um lugar bem bonito e deu para ter uma noção da grandiosidade do evento. Estou muito ansioso. Vai ser muito bom competir em casa, para o povo brasileiro, perto da família e dos amigos. Como morador do Rio de Janeiro tenho visto a cidade se transformando para os Jogos e tenho certeza de que serão os maiores da história.
O exemplar em miniatura do Parque Olímpico possui base de madeira e MDF, enquanto os prédios e instalações olímpicas foram feitos em acrílico, chapa de PVC e madeira. Na maquete é possível perceber diversas texturas para que haja o reconhecimento tátil dos diferentes elementos dos pisos, fachadas e vegetações, como a lisa (com tinta de verniz) usada no espelho d’água da Lagoa de Jacarepaguá, a lisa do asfalto e do cimento, e a áspera da área verde.
Para representar as árvores e arbustos, foram utilizadas miçangas de tamanhos diferentes e esferas pequenas de plástico, presas com pequenos pregos e alfinetes. A principal preocupação foi usar um material resistente e ao mesmo tempo seguro ao toque e não deixar pontas que pudessem machucar os deficientes visuais.
Pensando nisso, alguns elementos foram eliminados, tais como a representação das pessoas e dos postes da maquete, que seriam muito finos e pontiagudos. Já outros elementos tiveram sua espessura aumentada para possibilitar o reconhecimento ao toque, como marcações das quadras, corrimãos, e as estruturas das coberturas do Estádio Aquático, Parque Aquático Maria Lenk e Velódromo. A questão da resistência também foi considerada no acabamento com o uso de tinta de pintura de piso em vez de tinta látex comum usada para pintar paredes.
- Essa iniciativa da prefeitura é realmente muito importante para a comunidade com deficiência visual. É a oportunidade de inclusão das pessoas com deficiência na sociedade, mostrando o respeito dos organizadores dos Jogos e garantindo que o evento seja para todos. Abrigar por um mês essa maquete aqui vem reforçar o compromisso desse instituto que, há 160 anos, preocupa-se com a inclusão e educação de deficientes visuais – disse o diretor-geral do IBC, João Ricardo Figueiredo.
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