Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro

 

 


 

Rio ganha espaço de gastronomia e cultura na Lapa com incentivo do Pro-Apac

18/03/2014 22:42:00  » Autor: Fotos: Raphael Lima


O Rio de Janeiro ganhou, nesta terça-feira (18/03), mais uma opção de cultura, gastronomia e lazer. A Casa Momus — espaço cultural e restaurante — foi inaugurado na Rua do Lavradio, 11, na Lapa. O imóvel, construído no início do século 19, é o primeiro a ser restaurado através do Programa de Apoio à Conservação do Patrimônio Cultural (Pro-Apac) do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), da Prefeitura do Rio.

 

O projeto recebeu incentivo de R$ 300 mil para restauração de 110 metros quadrados do imóvel, que se encontrava em péssimo estado de conservação. O presidente do IRPH, Washington Farjado, explicou a importância de estimular a restauração da cidade:

 

— O edital é um catalisador do processo de revitalização da região central do Rio. Esse apoio financeiro ajuda a criar um movimento de restauração na cidade. O apoio acelerou a restauração da Casa Momus, que passa a ser mais um local de arte, cultura e gastronomia para os cariocas.

 

O novo espaço abrigará exposições fotográficas e de artistas plásticos e contará com um restaurante especializado em cozinha mediterrânea. Haverá espaço para shows e leituras dramatizadas.Construído no final do século 19, o imóvel serviu de moradia e encontro de intelectuais e políticos, antes de se tornar um antiquário com exposições permanentes de mobiliários e obras de arte. O prédio contou ainda com a participação dos escravos na construção, que carregaram pedras e madeiras para criar a atmosfera que foi preservada pelo projeto arquitetônico.

 

Um dos sócios da Casa Momus, o empresário italiano Nicola Rombi, explicou que o espaço vai estimular o convívio entre as pessoas que gostam de arte e apreciam a gastronomia:

 

— O potencial do prédio nos chamou atenção. Ficamos felizes porque a casa ficou linda, até porque a nossa intenção era criar um lugar para as pessoas conversarem, trocarem ideias, observar a arte. Somos gratos a Prefeitura do Rio em estimular a valorizção de espaços mais antigos, como acontece na Europa. 

 

Na restauração, os proprietários reaproveitaram toda a madeira de demolição. Muitos elementos antigos da casa foram recuperados e trabalhados por artesões e designers. O antigo assoalho foi transformado em mesas. Portas e janelas foram transformadas em peças geométricas para criar mesas e molduras de espelhos, enquanto páginas de livros amareladas pelo tempo foram transformadas em lustres.

 

O engenheiro Alfredo Gomes, responsável pela obra, disse que os proprietários acompanharam de perto cada detalhe. Segundo ele, tão importante quanto o acompanhamento dos sócios, foi a disposição da Prefeitura do Rio em estimular o investimento.

 

— Não tenho dúvidas que o Rio fica muito mais valorizado. Acompanhei cada detalhe da obra, o que me tornou um pai desse investimento. Essa casa vai atrair muitos turistas. É um lugar conservado com materiais originais, como é o caso das pedras de óleo de baleia.  Até mármores importados da Itália foram trazidos para embelezar o ambiente — disse ele, que levou sete meses de trabalho para transformar o imóvel em decomposição em um espaço de lazer, arte e gastronomia.

 

O projeto conceitual da Casa Momus é de Costanza Assereto, Sergio Salerni e Nicola Rombi, diretores executivos da Mediterrâneo Carioca – gestora do espaço. O projeto arquitetônico é de André Rodrigues, arquiteto especializado em recuperação de imóveis preservados ou tombados. A execução ficou sob responsabilidade da arquiteta Bárbara Gomes e do engenheiro Alfredo de Albuquerque, ambos da Objetiva Arquitetura e Construção. A direção de produção é feita pela RAIZForte Promoções Artísticas.  

 

Investimento do Pró-APAC é de R$ 12 milhões

 

O Pró-Apac foi lançado em 2013 para apoiar e patrocinar a restauração de imóveis tombados e preservados da região central. Ao todo, serão investidos R$ 12 milhões na restauração de antigos sobrados do Centro (R$ 8 milhões) e imóveis da Região Portuária (R$ 4 milhões). Na primeira edição, nove imóveis foram contemplados. Na segunda chamada, 32 propostas de restauração foram recebidas e serão analisadas.

 

Os projetos inscritos precisam prever a recuperação de imóveis de quatro Áreas de Proteção do Ambiente Cultural (APACs): Corredor Cultural; Cruz Vermelha; Catumbi e Cidade Nova; e Catete e Glória. A área prioritária e que teve mais relevância – maior pontuação na seleção - foi a compreendida no entorno da Praça Tiradentes, da Praça dos Arcos, na Lapa, e em imóveis com endereço voltados para as ruas do Lavradio, Mem de Sá e Rua da Lapa. Nessas regiões, cerca de 8.500 imóveis podem concorrer a cotas de fomento, que podem chegar até R$ 400 mil.




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