Raiva

A raiva é uma doença grave causada por um vírus que acomete o sistema nervoso central dos mamíferos. É uma zoonose fatal em quase 100% dos casos.

 

Transmissão

Qualquer mamífero  pode ser infectado e transmitir a raiva. A transmissão ocorre quando os vírus existentes na saliva do animal infectado penetram no organismo através da pele ou de mucosas, por meio de mordedura, arranhadura ou lambedura.


Cães e gatos exercem um importante papel na transmissão da raiva urbana por sua convivência com humanos. Nas áreas rurais, bois, cavalos, porcos, ovelhas e cabras podem desenvolver a doença, sendo o principal transmissor o morcego hematófago, que se alimenta do sangue desses animais. A transmissão da raiva também ocorre em ambiente silvestre, representado por raposas, guaxinins, primatas e, principalmente, morcegos (hematófagos ou não).


Na cidade do Rio de Janeiro, a raiva, na sua forma urbana, encontra-se sob controle. O último caso de raiva humana foi registrado em 1984 e o último caso canino ocorreu em 1995. Entretanto, o vírus ainda circula na cidade, sendo mantido em ambiente silvestre, principalmente entre morcegos.     
 

Sintomas

Os animais doentes costumam apresentar dificuldade para engolir; salivação abundante; mudança de comportamento; mudança de hábitos alimentares; e paralisia das patas traseiras.


Nos cães e gatos a raiva pode se manifestar sob a forma furiosa (o animal apresenta angústia, inquietude, excitação e agressividade) ou paralítica (forma mais leve sem manifestação de agressividade, apresentando sinais de paralisia que evoluem para a morte). Morcegos (hematófagos ou não) infectados com o vírus da raiva apresentam alterações no comportamento, podendo ser encontrados durante o dia, em hora e locais não habituais.


Em humanos, a raiva se manifesta, inicialmente, com mal-estar, aumento de temperatura, falta de apetite, dor de cabeça, enjoos, dor de garganta, irritabilidade, inquietude e sensação de angústia. O indivíduo sente dor, queimação e formigamento no local da mordedura. Essas alterações duram de 2 a 4 dias. A infecção progride, surgindo manifestações de ansiedade e hiperexcitabilidade crescentes, febre, delírios, espasmos musculares involuntários e/ou convulsões. Espasmos dos músculos da laringe, faringe e língua ocorrem quando o paciente vê ou tenta ingerir líquido, apresentando produção excessiva de saliva, fluindo para fora da boca. Os espasmos musculares evoluem para um quadro de paralisia, levando a alterações cardiorrespiratórias, retenção urinária e constipação intestinal. Observa-se, ainda, sensibilidade a luz e a sons, medo de correntes de ar e de água, além da dificuldade para engolir.
 

Prevenção

O que fazer no caso de agressão (mordida / arranhão) por cães, gatos, morcegos e demais animais silvestres?


Lavar imediatamente o ferimento com água corrente e sabão;


Procurar imediatamente uma Unidade de Atenção Primária do município (clínicas da família ou centros municipais de saúde) para ser atendido por um profissional de saúde e receber as devidas orientações em relação aos cuidados. Nunca interromper o tratamento preventivo sem ordens médicas;


Não matar o animal, e sim deixá-lo em observação durante 10 dias, para que se possa identificar qualquer sinal indicativo da raiva. O animal deverá receber água e alimentação normalmente, num local seguro, para que não fuja ou ataque outras pessoas ou animais;
Se o animal adoecer, desaparecer ou mudar de comportamento, ou nos casos em que haja impossibilidade de observar o animal agressor, acionar o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), através da Central de Teleatendimento1746, para informar sobre a ocorrência do acidente;


Se o animal morrer, o CCZ deverá ser informado imediatamente, por meio de um chamado da Central 1746. Uma equipe será enviada ao local e a carcaça será removida para o Instituto Municipal de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman (IJV), para realização de exame diagnóstico de raiva.

A vacina antirrábica também é indicada para proteção prévia de pessoas que, por força de suas atividades ocupacionais, estão permanentemente expostas ao risco da infecção pelo vírus. A profilaxia pré-exposição é recomendada para:


Médicos veterinários, biólogos, profissionais e auxiliares de laboratórios de virologia e anatomopatologia para a raiva;


Estudantes de medicina veterinária, zootecnia, biologia, agronomia;


Técnicos em agropecuária e afins;


Pessoas que atuam na captura, contenção, manejo, coleta de amostras, vacinação, pesquisas, identificação e investigações epidemiológicas em mamíferos domésticos (cão e gato), de produção (bovídeos, equídeos, caprinos, ovinos e suínos) e/ou silvestres (quirópteros, canídeos silvestres, primatas não humanos e outros) de vida livre ou de cativeiro, inclusive funcionários de zoológicos, espeleólogos, guias de ecoturismo, pescadores; e


Outros profissionais que trabalhem em áreas de risco, como carteiros, que podem ser vítimas de ataques com cães.


É recomendado que essas pessoas procurem uma Unidade de Atenção Primária do município para receber as orientações quanto ao esquema de vacinação. A avaliação sorológica (titulação de anticorpos) é obrigatória para todas as pessoas submetidas ao tratamento profilático pré-exposição, para confirmar o efeito da imunização. Deve ser realizada a partir do 14º dia após a última dose da vacina. Somente títulos iguais ou acima de 0,5 UI/ml de anticorpos são considerados satisfatórios.

 

Vacinação contra Raiva Animal em Cães e Gatos:

 

O controle da raiva animal inclui a vacinação de cães e gatos, a partir de três meses de idade. A vacina para esses animais está disponível durante todo o ano, de forma gratuita,  nos postos fixos localizados no Centro de Controle de Zoonoses Paulo Dacorso Filho e no Instituto Municipal de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman. Todos os anos, a cidade do Rio de Janeiro também realiza a Campanha de Vacinação Contra Raiva de Cães e Gatos em postos de vacinação distribuídos em diversos pontos da cidade.

 


INFORMAÇÕES IMPORTANTES


Deve-se evitar o contato direto com animais silvestres, em especial morcegos. Caso seja detectada a presença de morcegos no interior de residências ou em outros locais indesejados, deve-se aumentar a luminosidade nos ambientes; colocar telas nos vãos, janelas e buracos e fechar ou vedar porões, pisos falsos e cômodos pouco utilizados que permitam o alojamento de colônias. Morcegos são animais protegidos por lei (Lei nº 5.197, de 3 de janeiro de 1967), pois exercem papel importante na natureza no controle de insetos e, no caso dos frugíveros, disseminação de sementes e polinização de flores.


A presença de morcegos caídos no chão deve ser imediatamente informada ao CCZ através da Central 1746. Uma equipe irá até o local recolher o animal para realização de exame diagnóstico para raiva no IJV. Não se deve tocar ou remover o morcego do local. É importante impedir que outros animais ou crianças tenham contato com o morcego caído.