SME inicia processo de renovação em reunião com diretores

06/09/2017 17:38:00


O secretário municipal de Educação, César Benjamin, se reuniu hoje com 49 diretores de escolas, para discutir o processo de reforma no nível central, no qual estão previstas alterações na estrutura e renovação parcial das equipes. Estavam na reunião os diretores de unidades cujo desempenho escolar indicou uma boa gestão. Na ocasião, o secretário apresentou o novo organograma da SME, concluído ontem.

 

Benjamin ressaltou que foi muito bem recebido pelo nível central, quando assumiu o cargo de secretário. Mas, em suas idas às escolas e às Coordenadorias Regionais de Educação (CREs) frequentemente percebeu um sentimento de distância entre campo e o nível central.

 

“Isso se traduz numa sensação de "nós e eles" -- nós, escola, e eles, os que estão no nível central. Isso não é bom”, disse Benjamin, para quem é necessário acabar com essa distância e instaurar um só pensamento dentro da SME.

 

O secretário também explicou a metodologia utilizada para criar um outro mecanismo de renovação do nível central que não fosse a simples reprodução do já existente. “Nós estabelecemos uma metodologia na qual as escolas fossem comparadas com elas mesmas e a gente pudesse identificar àquelas que possuem uma curva acentuada de desenvolvimento”, disse Benjamim, acrescentando que isso foi ponderado por várias outros elementos, como a escolaridade dos pais dos alunos, nível socioeconômico, etc”

 

Essa nova metodologia permitiu a SME chegar a um grupo de 49 escolas que se destacam na rede, o que conduz também a ideia de que estão sendo muito bem gerenciadas. “É muito difícil que uma escola tenha um desempenho muito bom se a direção for ruim”, disse o secretário.

 

César Benjamin destacou que queria ouvir a opinião dos diretores, assim como identificar os que possam ajudar o nível central. “Não imagino que a gente vá trazer 49 excelentes servidores para cá porque com isso esvaziamos as escolas. É pra gente pensar junto esse processo, incorporando esses profissionais e eventualmente professores”, afirmou ele, lembrando que não conseguiu identificar professores, mas somente escolas de bom desempenho. Mas deixou claro que está aberto a identificar novos professores que possam ajudar nesse processo de renovação.


O secretário também enumerou algumas mudanças, particularmente na área de Recursos Humanos, considerada uma área chave, uma vez que a educação é feita de gente que trabalha com gente. Na SME, a área de RH é particularmente complexa.

 

“Nós temos cerca de 70 mil professores e funcionários em vários subgrupos, com diferentes tarefas e formados ao longo de décadas por diversos concursos. Então, a área de recursos humanos é essencial para que essa grande massa humana chamada SME possa funcionar com um mínimo de perda de energia interna, de atrito interno”, afirmou, anunciando formalmente a criação da Coordenadoria Geral de Recursos Humanos, com status de uma subsecretaria, a ser ocupada por Daniele Moreira Pereira.

 

 

A nova área de Recursos Humanos estabelecerá fóruns de negociação, de discussões e debates em torno de algumas reivindicações dos professores. Foram definidas seis questões para os fóruns que se iniciam em setembro. A SME está privilegiando formas coletivas a partir do surgimento de inúmeros grupos que não reconhecem as formas de representação e que buscam contato direto com o secretário com uma reivindicação específica.

 

“Nós chamamos o CEC, SEPE, SEC's, pessoas do campo e, com esse diferente corpo de composições, montamos seis fóruns de negociação para tratar da questão do um terço para o planejamento extraclasse, a questão da Educação Infantil, migrações, valorização das equipes gestoras e merendeiras, que é um grupo bastante penalizado pelo trabalho pesado, e o concurso de 92”, disse Benjamin.

 

O secretário assinalou que a Prefeitura passa por um momento fiscal grave, daí não ter condições de resolver essas questões, mas já vai rabiscar um desenho e suas soluções, para caminhar nessa direção. O segundo elemento em Recursos Humanos, frisou César Benjamin, é a de sua humanização.

 

“O professor, o funcionário, não pode ter uma resposta burocrática, genérica, impessoal, tipo o regulamento tal define assim. Cada um é uma pessoa, cada um possui uma história e uma demanda específica. Ele tem que ser ouvido nessa condição”, deixou claro o secretário. 

 

O secretário também especificou o organograma da SME, que se tornou mais simples, mais objetivo, mais voltado aos fins. A Secretaria  passa a funcionar com nove gerências. A de Coordenação de Revisão Curricular vai rever e aperfeiçoar os currículos para que sejam, de fato, instrumentos de trabalho do professor na sala de aula.


A gerência de Coordenação de Material e Recursos Pedagógicos vai continuar, por ser uma boa experiência: produz quase todo o material pedagógico, permitindo que os professores interajam com os cadernos pedagógicos.


O Instituto Helena Antipoff vai permanecer coordenando a área de Educação Especial. Já a Escola Paulo Freire passa a centralizar toda a área de formação, passando a ter uma gerência de Formação Inicia. Esta dará formação específica aos professores nos três primeiros três anos de rede. 

"Uma pessoa se forma em pedagogia, com uma formação muito distante do necessário em uma sala de aula, passa no concurso e entra na rede. Não está necessariamente em condições de assumir plenamente a regência de uma turma", disse César, acrescentando que outro grande desafio é a Educação Continuada.


"Nós temos mais de 40 mil professores,não é fácil montar um esquema que faça o acompanhamento deles", afirmou.


Outras gerências definidas são as de Formação de Gestores, que passarão a ter um espaço de formação dentro da secretaria, e de Pesquisas, porque a SME não deve ser uma consumidora de conhecimentos, mas também produtora deles. Muitos conhecimentos só ela produz, são específicos para a população do Rio de Janeiro, que vive determinadas condições culturais e geográficas. Daí, não adiantar contratar uma multinacional para ensinar como fazer.