Começou hoje o curso de acesso seguro do Comitê Internacional da Cruz Vermelha

10/07/2017 16:55:00  » Autor: fotos: Hélio Melo


Começou hoje (10 de julho) o treinamento de multiplicadores em acesso seguro para os serviços públicos essenciais dado pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) a representantes das 400 escolas municipais localizadas em áreas de risco. Estão participando do curso 41 professores das 11 Coordenadorias Regionais de Educação (CREs).

 

O secretário municipal de Educação, César Benjamin, e o chefe da delegação regional para Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Lorenzo Caraffi, participaram da abertura do curso, ocasião em que assinaram o Termo de Colaboração para desenvolvimento e implementação da metodologia de Acesso Mais Seguro (AMS) na rede de ensino do município.

 

 

O acordo prevê a avaliação prévia das vulnerabilidades e condições de segurança das equipes e equipamentos da Secretaria Municipal de Educação (SME), assim como a definição de ações e estratégias adequadas para implementar integralmente a AMS, fortalecendo a aceitação dos serviços, a mitigação de risco e a gestão de crises e estresse relacionados à violência.

 

Na ocasião, César Benjamin expôs aos participantes do curso a sua avaliação sobre as causas da violência endêmica no Rio de Janeiro e o papel da polícia no meio do conflito. Segundo ele, o Rio vive uma situação bastante particular, com grandes áreas da cidade sob controle de facções criminosas e com a polícia não sendo parte da solução, mas do problema.

 

"Nós sabemos que essa situação de violência que vivemos hoje foi construída e tem causas sociais, culturais e econômicas. Portanto, a paz ou  uma paz relativa também terá que ser construída. Os profissionais de Educação têm legitimidade para a construção da paz. É a legitimidade de quem tem 20% da cidade girando em torno de suas escolas que estamos usando na campanha contra a violência e pela paz no Rio de Janeiro".

 

Já Lorenzo Caraffi lembrou que, segundo o Direito Internacional Humanitário (DIH),o Rio não vive uma situação de guerra, mas uma situação de violência, o que fez que o CICV ajude as autoridades a mitigar as consequências humanitárias da violência e reduzir a vulnerabilidade de professores, alunos e população nas áreas de risco.

 

O Termo de Colaboração também prevê a criação de um Grupo de Suporte, formado por profissionais do nível central e intermediário de gestão, que deverá se reunir mensalmente para acompanhar, entre outras coisas, a implementação da metodologia AMS; identificar os locais mais vulneráveis e prioritários, assim como os riscos mais recorrentes; apoiar e acompanhar os treinamentos e capacitações dos trabalhadores; apoiar a elaboração e disseminação dos planos de segurança em todos os equipamentos treinados; fazer validações sistemáticas dos planos de segurança elaborados; definir indicadores de monitoramento.

 

Escolas fechadas pela violência

 

Desde o dia 2 de fevereiro, data de início do ano letivo, 382 escolas foram fechadas pelo menos um dia por conta da violência no seu entorno, prejudicando o aprendizado de 129.504 alunos do município. Nestes 102 dias do ano letivo apenas em sete deles a Rede de Ensino funcionou com todas as escolas abertas. Acari continua sendo a comunidade que mais fechou escola (30 dias), seguida de perto pelo Complexo da Maré (18 dias), Alemão e Cidade de Deus (15 dias).

 

A capacitação dos profissionais de ensino terá a duração de uma semana com carga horária de 40 horas. "Os professores treinados serão multiplicadores na rede, transmitindo o aprendizado de autoproteção e protocolos de segurança para casos de emergência a outros grupos de docentes", acrescentou Benjamin.


O curso Acesso mais Seguro para Serviços Públicos Essenciais é uma adaptação para contextos de violência urbana do próprio protocolo que a entidade elaborou para diminuir a vulnerabilidade de seus funcionários em ambientes de conflito armado e violência nos países em que tem operações. Está sendo realizado na Escola de Formação Professor Paulo Freire, no Centro do Rio de Janeiro, das 8h às 16h. Além de hoje, será dado nos dias 12,14, 18 e 20.

 

Os professores estão sendo orientados a criar uma metodologia de como trabalhar nas escolas e até a simular ações necessárias em casos de violência (evacuação, por exemplo). Também serão capacitados a sistematizar um protocolo de abertura/fechamento de escolas e a enumerar não só as perdas em termos de aprendizado, mas também o impacto econômico dessas decisões.

 

O curso do CICV é gratuito, feito com recursos próprios da organização internacional, que atua em 80 países e tem sede em Genebra, na Suíça. O CICV assiste e protege vítimas de conflitos armados e outras situações de violência. Metodologias semelhantes, adaptadas para cada contexto, foram desenvolvidas e aplicadas em países como Colômbia, Honduras, Ucrânia e Líbano, entre outros.