A arte a favor da paz

19/06/2017 08:00:00  » Autor: fotos: Hélio Melo


Ao passar pelo portão da Escola Municipal Vicente Licínio Cardoso, localizada na Praça Mauá, no Centro da Cidade, alunos, professores, funcionários e visitantes são recepcionados por um colorido mural de flores com a frase "Aqui é um lugar de paz". A unidade, único Ginásio Experimental vocacionado para as Artes Visuais, respira desenhos, formas e cores. É através da arte que os alunos explicam o que é paz. "Fizemos flores coloridas, pois a mistura de cores mostra que nós seres humanos também somos misturados e ainda assim cada um é de um jeito. E, mesmo com as nossas diferenças, sempre estamos misturados e unidos por um mesmo propósito. Isso é paz" declarou a aluna Bárbara Tavares, de 13 anos.

 

A ideia do mural de flores veio do professor de artes, Marco Aurélio Machado. Inicialmente o trabalho foi elaborado para o Dia Internacional da Mulher e posteriormente para Dia das Mães. Para a campanha "Aqui é um lugar de paz" os desenhos foram reaproveitados, ganhando novas cores e outros foram incorporados. "Aqui ninguém faz nada sozinho. O trabalho é feito de forma colaborativa, trabalhando valores como respeito, amizade e cidadania", disse ele. No próximo dia 2 de julho, no encontro das 1537 escolas da rede municipal, a partir das 8h, no Aterro do Flamengo, os alunos do Ginásio das Artes vão levar um cartaz recortado com os contornos do Pão de Açúcar onde escreveram "Aqui é um lugar de paz".

 

 

A escola não está em uma área conflagrada da cidade e não tem suas aulas constantemente interrompidas por conta de conflitos. Porém, fora dela, alunos vivenciam diariamente a violência na região onde moram. Muitos não conseguem chegar até a escola, lugar que consideram mais seguro do que suas próprias casas. Outros relatam a preocupação com as famílias, quando vão para o colégio. "Uma vez uma colega de sala ficou preocupada com a família por conta do tiroteio. O professor de português teve a ideia de fazer uma brincadeira e assim conseguiu acalmar toda a turma, e o problema saiu da nossa mente" contou Daniel de Souza, de 13 anos.

 

Apesar do conflito armado não afetar a rotina escolar, o tema violência sempre é abordado na escola. Ao trabalhar como os alunos sobre o assunto, a professora de artes Luzinete Mantovani, descobriu que a violência entra na escola de várias formas. De forma colaborativa eles apontaram o que viviam dentro da realidade deles. Vários tipos de violência surgiram, como bullying, o preconceito racial e de gênero".

 

Os estudantes debatem violência nas aulas de projeto de vida. Em uma delas, o professor Marco Aurélio explica que a paz não deve se limitar apenas ao espaço escolar. "A paz perpassa todo o nosso ser. Se a gente é uma pessoa de paz, consegue transformar qualquer espaço em que estamos em lugares de paz."

 

No Ginásio Vicente Licínio Cardoso os alunos são os protagonistas da paz. Citam, em todas as falas, a amizade, a harmonia, a cidadania, a tranquilidade, o amor e o respeito como ingredientes fundamentais para tornar a escola um lugar de paz. Para eles, as diferenças podem separar, mas as igualdades sempre os unem.