Secretaria Municipal de Cultura - SMC
Tráfico Ilegal de Africanos Escravizados no Século 19 foi tema de seminário

O evento faz parte de uma série de encontros e é resultado de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Cultura e o Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro


09/08/2017 16:31:00


Na última terça, dia 8 de agosto, aconteceu o segundo encontro do programa de seminários "Escravidão e Ações de Liberdade: Acervos e Reflexões", no Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Esta edição teve como tema "Fronteiras Abertas ao Tráfico Ilegal de Escravos pós-1850: do Norte do Rio de Janeiro ao Sul do Espírito Santo". Sob mediação da professora Hebe Mattos (UFF), o evento foi aberto pela subsecretária de identidade cultural da Secretária Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, Lília Gutman. As palestras foram ministradas pelo professor adjunto do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense, Walter Luís C. de Mattos Pereira, e pelo pesquisador Thiago Campos Pessoa, do Laboratório de História Oral e Imagem, também da UFF.

            O encontro abordou a manutenção do tráfico de escravos mesmo após a Lei Eusébio de Queiroz, promulgada em 1850, que proibia o tráfico negreiro. Abrindo o seminário, o professor Walter Luís falou da estrutura que possibilitou o tráfico ilegal na região norte fluminense, principalmente na então província de Campos. Segundo o pesquisador, o sul do Espírito Santo e o norte do estado do Rio de Janeiro eram regiões que não se intimidavam com a repressão ao tráfico por conta da elite cafeeira que atuava para manter em atividade o comércio ilegal de escravizados. De acordo com o pesquisador, "os poderes dessa classe senhorial iam além do território brasileiro, já que eram proprietários de fazendas e desenvolviam atividades comerciais em países da África".

 

 

            O pesquisador Thiago Campos Pessoa falou sobre o tema na região de Mangaratiba, no sul fluminense. Ele questionou a ideia de que o tráfico ilegal era feito de forma amadora. "Havia uma infraestrutura complexa mantendo a ilegalidade, desde o desembarque dos escravizados nas fazendas de recepção até a inserção deles nesse complexo cafeeiro", explicou. Thiago falou também sobre a importância de seu envolvimento com as comunidades quilombolas da região, e como a cultura desses grupos despertou o interesse dele sobre o tema.  




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