Setembro Amarelo alerta para aumento de casos de depressão e suicídio

02/09/2019 15:00:00


 

"Depressão é uma doença e não fraqueza moral" , ressalta especialista da RioSaúde

 

 

 

 

 

Falar sobre depressão, suicídio e outros transtornos ainda é considerado tabu em diversos setores da sociedade, segundo uma pesquisa recente realizada pelo Ibope Conecta.  Os dados mostram que o preconceito é maior entre os homens jovens, justamente o público mais vulnerável ao suicídio. Segundo o levantamento, um a cada cinco jovens com idades entre 13 e 17 anos acredita que a depressão representa apenas um momento de tristeza e não uma doença.

 

A falta de informação sobre a depressão prejudica o enfrentamento do problema, pois sem ajuda de um especialista não há diagnóstico e nem tratamento adequado, aumentando, assim, o risco de suicídio entre pessoas que sofrem do transtorno mental.

 

 A situação ainda é mais grave se considerarmos que o Brasil é o país mais deprimido da América Latina, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).  Estamos acima da média global de 4,4%.  O suicídio, que aumentou 24% no país, entre 2006 e 2015, é uma das possíveis consequências da depressão, que  acomete principalmente a faixa etária entre 10 e 19 anos.

 

A psiquiatra Maria João Noronha, que atende pacientes no setor de Saúde Mental do CER Barra, unidade administrada pela Empresa Pública de Saúde do Rio de Janeiro ( RioSaúde), alerta que a depressão é uma doença séria e deve ser tratada. Segundo ela, durante a adolescência, algumas questões como sexualidade, bullying, escolha de carreira e bom desempenho escolar podem funcionar como agravantes, tornando o jovem  mais vulnerável ao suicídio.

 

  RioSaúde  -Por que a doença atinge principalmente os jovens?

 

Dra.  Maria João- Porque é nessa fase da vida que o desenvolvimento pessoal, social e escolar está a todo vapor. Uma fase de muitas mudanças, inclusive hormonais, onde ocorre busca por aceitação social e o jovem tem menos recursos emocionais do que um adulto para lidar com os conflitos comuns da idade, uma fase de muitas transformações. Questões sobre sexualidade, bullying, escolha de carreira, bom desempenho escolar podem funcionar como agravantes.

 

 RioSaúde-  Quais são os sintomas da depressão?

 Dra. Maria João- Reconhecer a depressão na adolescência é mais difícil, pois nessa fase o jovens mudam naturalmente seu comportamento.  Os pais devem ficar atentos ao isolamento social, quando o jovem prefere ficar mais tempo no quarto do que com amigos, por exemplo. Desânimo, perda do interesse em atividades que antes tinha prazer, dores e cansaço, piora do desempenho escolar, alteração do sono,  falta de apetite, irritabilidade e baixo limiar a frustrações são alguns dos sintomas mais observados e que devem servir de alerta.

 

RioSaúde- Como  diferenciar tristeza da depressão?

Dra. Maria João- A tristeza é um sentimento, afeto.  El*a* ajuda na elaboração das perdas ou sofrimentos ocasionais, que com o tempo vão se atenuando.  Já a depressão é uma situação de adoecimento. É uma tristeza que não melhora e o sentimento negativo vem antes mesmo de surgirem os motivos para eles. Se a tristeza não passa, começam a surgir sentimentos de apatia, alteração do sono, do apetite, desesperança, falta de energia e de prazer pela vida, que seria um sintoma claro de depressão. A depressão é uma doença séria e deve ser tratada.

 

RioSaúde - O uso de psicotrópicos e o medo da dependência afastam as pessoas do tratamento?

Dra. Maria João- Muitas vezes, sim. Existe ainda preconceito em relação a busca de ajuda do psiquiatra e ao uso de medicações que agem no sistema nervoso central pelo medo da dependência, tolerância e efeitos colaterais.

 

RioSaúde -   E como vencer o preconceito que ainda cerca essa doença?

Dra. Maria João- É muito difícil familiares e amigos compreenderem o que o paciente está passando. Muitos condenam dizendo que "está assim, pois está pensando no passado, porque quer chamar atenção ou porque não quer melhorar". Consideram frescura e minimizam o sofrimento do outro. Mas é o contrário, por estar deprimida é que a pessoa fica presa aos pensamentos negativos.  Por isso é importante explicar que a depressão é uma doença e não fraqueza moral. Enfim, a conscientização sobre a doença reduz o estigma e aumenta a abertura das pessoas para buscar tratamento.




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