Image Map

Coordenadoria de Relações Internacionais
Prefeitura do Rio e NASA discutem projeto para lidar com alagamentos

29/10/2019 13:20:00


Quatro pesquisadores da NASA, agência espacial dos Estados Unidos (EUA), estiveram esta semana no Rio de Janeiro para estreitar a parceria de quatro anos com a Prefeitura. Em visitas ao Centro de Operações e Resiliência (COR) e ao Instituto Pereira Passos (IPP), eles debateram um novo modelo para previsão de inundações e a criação de uma versão atualizada da ferramenta de monitoramento de deslizamentos Rio-Nasa. A parceria estratégica se amplia um ano após o início desse trabalho conjunto de monitoramento de possíveis escorregamentos em encostas.  Os novos recursos serão utilizados diretamente pelo COR.

 

Ao longo desta semana ocorreu na cidade o II Workshop Rio-NASA: Ciências Aplicadas para Redução de Riscos de Desastres (RRD), que tinha como objetivo a troca de experiências e lições aprendidas ao longo desses quase quatro anos de parceria, bem como a revisão do modelo de deslizamentos desenvolvido em conjunto e o início do desenvolvimento de um modelo para inundações. Segundo o IPP, em setembro de 2018 o modelo de monitoramento de deslizamentos (LHASA-Rio) começou a ser aplicado ainda em caráter de teste, alcançando um índice de acerto de 87,7% e espera-se que com a quantidade de dados que o modelo já concentrou a taxa de acerto no próximo verão deva ser superior a esse patamar.

 

No dia 25 de outubro, o Prefeito Marcelo Crivella recebeu, no Palácio da Cidade, a delegação da agência americana para tratar da continuidade da cooperação. Em almoço oferecido à delegação visitante, foi ressaltado como esta parceria vem sendo benéfica para ambas as partes, possibilitando a criação de soluções locais utilizando os dados e modelos desenvolvidos de forma global pela agência norte-americana.

 

 

Para o Prefeito, o acesso ao conhecimento e à elevada tecnologia da NASA é uma oportunidade única para a detecção antecipada de possíveis catástrofes naturais. "Os satélites de observação da Terra da NASA e os modelos matemáticos de ponta desempenham um papel fundamental em nossos esforços. Quanto ao Rio de Janeiro, fornecemos informações em escala local, muito específicas para lentes a centenas de quilômetros no céu verem, ou para algoritmos detectarem. Estou convencido de que é essa abordagem que fará história ao nos fornecer os meios para melhor nos adaptarmos e suportar eventos de chuva." O Prefeito também destacou o papel educacional da parceria, que engaja os alunos da rede municipal de ensino, a maior da América Latina, através de uma série de webnários com professores da rede, bem como tornando os alunos multiplicadores do conhecimento sobre as mudanças climáticas e os riscos decorrentes delas.

 

Durante uma entrevista realizada no COR, Felipe Mandarino, do IPP, disse que o programa ajuda também a acompanhar a situação de riscos de deslizamentos onde não há instalação de sirenes. Segundo o geógrafo, os locais com maior número de equipamentos são o maciço da Tijuca e o conjunto de favelas do Alemão.

 

Para o chefe-executivo do COR, Alexandre Cardeman, esse tipo de acompanhamento é importante para a cidade do Rio de Janeiro que, historicamente, sofre com alagamentos. "Isso [os alagamentos] não vai deixar de acontecer. Provavelmente, cada vez mais vai piorar, vamos ter mais chuvas recorrentes com maiores volumes e nada melhor do que inovar e trazer uma visão fora da caixa para suprir esses problemas. Nada melhor também, falando em tecnologia e inovação, do que a NASA, que tem pesquisadores de alta capacidade", completou. Cardeman disse que a prefeitura do Rio foi uma das primeiras a assinar esse tipo de parceria com a NASA e hoje já é referência para outras cidades do Brasil.

 

A parceria entre a NASA e a Prefeitura foi estabelecida no final de 2015 e é uma iniciativa pioneira da agência no mundo. Tem como objetivo o co-desenvolvimento de ferramentas e soluções que possibilitem um melhor entendimento, bem como antecipar e monitorar os perigos decorrentes das mudanças climáticas em uma escala urbana.