Guarda Municipal do Rio de Janeiro - GM-Rio
Guardas municipais ajudam ex-dependente químico que solicitou ajuda em Campo Grande

Após conseguir apoio e até emprego, sul-mato-grossense retornou ao bloqueio parcial para agradecer aos agentes


06/08/2020 11:10:00


O que era para ser mais um plantão rotineiro na barreira de isolamento no calçadão de Campo Grande, na Zona Oeste, para evitar a disseminação do novo coronavírus, se tornou em um grande ato de solidariedade articulado pelos guardas municipais Ana Paula Revoredo André e Victor Hugo de Souza Franklin, da 7ª Inspetoria (Praça Seca).

 

Ao serem abordados em um domingo, 31 demaio, pelo sul-mato-grossense Ricardo Simão dos Santos, de 36 anos, ex-dependente químico, os guardas não pensaram duas vezes e imediatamente entraram em contato com diversas instituições filantrópicas que pudessem acolhê-lo naquele momento. Ele solicitou ajuda para encontrar uma clínica de reabilitação que pudesse tirá-lo da condição de rua e evitar a recaída no vício do crack.

 

- Quando Ricardo nos procurou no calçadão de Campo Grande, fomos surpreendidos com um pedido de ajuda que nos comoveu bastante naquele momento. Se tratava de uma pessoa vulnerável, se recuperando de um vício, buscando se reerguer na vida. Era o nosso dever, como agentes públicos e como seres humanos, acolhê-lo naquele momento - informou a guarda municipal Ana Paula Revoredo.

 

Os agentes conseguiram, através de um amigo pessoal de Ana Paula, intermediar o apoio da Comunidade Terapêutica Jesus é o Caminho, do pastor Jorge Luiz da Silva, o "Jorjão", em Senador Camará, Zona Oeste do Rio, que se disponibilizou buscá-lo no local.

 

- Nós dois nos mobilizamos naquele instante e fizemos contatos com alguns conhecidos da nossa rede de relacionamento pessoal. A minha colega Ana Paula Revoredo conseguiu o contato com o pastor Jorjão. O rapaz ficou em nossa companhia por aproximadamente três horas até a equipe do centro de reabilitação vir buscá-lo. Foi muito gratificante me sentir útil ajudando outro ser humano. Quando nos deparamos com uma pessoa solicitando ajuda, nós temos a obrigação de estender as nossas mãos. Ficamos com a sensação de dever cumprido - afirmou o guarda municipal Victor Hugo Franklin.

 

O homem seguiu com a equipe da comunidade terapêutica, onde permaneceu sob os cuidados do centro de reabilitação por algumas semanas. Como não concordava com a obrigatoriedade do uso de paletó em momentos específicos de sua internação, Ricardo dos Santos decidiu voltar às ruas para procurar novamente os guardas municipais que o ajudaram anteriormente.

 

No trajeto até a barreira de isolamento de Campo Grande, o homem foi abordado na rua por um membro da igreja Comunidade Cristã, que o convidou para assistir ao culto que iria iniciar em instantes.

 

- Eu acho que foi Deus quem colocou o representante da igreja no meu caminho naquele momento. Eu estava desesperado, indo buscar novamente ajuda com os guardas municipais, quando fui abordado por aquele convite salvador. Chegando lá nesta igreja, eu me ajoelhei, orei, agradeci, e contei o meu caso. Eles se comoveram e me deram abrigo na residência de uma colaboradora da igreja e, também, um emprego, onde trabalho hoje como pedreiro - afirmou Ricardo.

 

Feliz por ter reencontrado um espaço que o acolhesse e, também, por ter se recolocado no mercado de trabalho, Ricardo dos Santos resolveu ir até o calçadão de Campo Grande no último domingo, dia 28/06, para agradecer aos guardas Ana Paula Revoredo e Victor Hugo Franklin pelo empenho em ajudá-lo em um dos momentos mais críticos de sua vida.

 

Ao chegar na barreira de isolamento de Campo Grande, como não encontrou os guardas que o ajudaram anteriormente, o homem abordou a guarda municipal Telma Goes Souza, do programa Lixo Zero, que teve a oportunidade de ouvir e registrar o depoimento dele.

 

- O Ricardo se aproximou da gente procurando a Ana Paula e o Franklin, mas não se lembrava dos nomes dos guardas. Como o homem não soube expressar a identificação dos agentes, eu resolvi gravar o depoimento de gratidão que ele queria transmitir para os servidores. Então, eu percebi que ele estava bem cuidado e com boa aparência. Ele aproveitou a ocasião para desabafar toda a sua trajetória até aqui, desde quando saiu do município de Ribas do Rio Pardo, em Mato Grosso do Sul, para vir morar com a sua antiga companheira no Rio de Janeiro, passando pela dependência do crack, por uma internação em clínica de recuperação, e lutando para evitar recair no vício. Achei lindo esse gesto de gratidão dele e fiquei muito emocionada – resumiu Telma.

 

Coordenador regional da Guarda Municipal na Zona Oeste, o inspetor Cláudio Figueiredo parabenizou a atuação dos guardas municipais envolvidos no atendimento ao cidadão e ressaltou que questões humanitárias também são atribuições do agente de segurança pública.

 

- O guarda municipal é o agente da segurança pública mais próximo do cidadão. Ele deve estar sempre à disposição para apoiar quem o procurar. Quando se tratar de casos que não sejam de sua alçada, o servidor deve procurar o órgão competente, para que possa facilitar a solução do problema. Os guardas atenderam e ouviram a necessidade do cidadão, tentando solucioná-la na medida do possível, intermediando o contato com a instituição que o acolheu. Para mim, é motivo de muita satisfação saber que guardas municipais que estão em sua função operacional na rua puderam realizar uma ação tão solidária como essa. Isso nos alegra muito e nos faz perceber o poder de influência que o agente tem na vida das pessoas na nossa cidade. Esse é o maior propósito do que nós fazemos - finalizou. 


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