Companhia Municipal de Limpeza Urbana – COMLURB
Comlurb sai na frente e lança primeira unidade de biometanização da América Latina

04/12/2018 17:59:00


A Comlurb apresentou nesta segunda-feira, 3/12, no Ecoparque do Caju, a primeira unidade de biometanização da América Latina, que transforma matéria orgânica dos resíduos sólidos urbanos (RSU) em biogás, utilizado para a geração de energia e de biocombustível, não-poluente. O material também pode ser transformado em composto orgânico para ser usado como recondicionador de solos, em agricultura e reflorestamento.

 

O projeto piloto vai processar inicialmente entre 35 e 50 toneladas por dia e foi financiado pelo BNDES, por intermédio de empréstimo não retornável, do Fundo de Desenvolvimento de Tecnologia – Funtec. A tecnologia foi desenvolvida pela empresa Methanum Engenharia Ambiental, com a cooperação técnica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

 

A unidade é mais uma iniciativa da Comlurb visando reduzir a quantidade de resíduos orgânicos destinados ao Centro de Tratamento de Resíduos (CTR Rio), em Seropédica, diminuindo consequentemente a geração de chorume, as emissões de gases efeito estufa e aumentando a vida útil do local.

 

“É um projeto piloto com grande potencial de crescimento para gerar expressiva economia de espaço na CTR Rio e de valorização energética do material orgânico, com grandes ganhos para o meio ambiente. A planta de biometanização poderá nos ajudar no futuro a atingir as metas estabelecidas no Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, previsto no Plano Estratégico 2017-2020, de reduzir em até 25% a quantidade de resíduos encaminhada ao CTR Rio. É o primeiro passo para chegarmos ao objetivo de processar todas as 5 mil toneladas de resíduos orgânicos recolhidos na Cidade do Rio de Janeiro”, diz o presidente da Comlurb, Tarquinio Almeida.  

 

 

 

 

 

A energia gerada a partir da combustão do biogás atende à demanda da própria planta, além de ser suficiente para abastecer a Unidade de Transferência de Resíduos do Caju (UTR). O excedente poderá abastecer mais de 1.000 residências considerando consumo médio da família brasileira, de cerca de 160 kWh/mês, além da frota elétrica da Comlurb, atualmente composta de nove veículos, mas com previsão de chegar a 19 até março de 2019. O excedente também tem potencial para abater a conta de luz da sede da Comlurb e das gerências com o mesmo CNPJ, num conceito chamado de geração distribuída. O modelo pode ser replicado em outras cidades e trazer impactos positivos para todo o país. O Centro de Pesquisas Aplicadas da Companhia analisa todo o material em laboratório e monitora  o processo com um profissional da UFMG envolvido no projeto desde o início e que hoje é contratado pela Comlurb.

 

Presente ao lançamento como representante do prefeito Marcelo Crivella, o subsecretário de Meio Ambiente, Justino Carvalho, corroborou as palavras do presidente e ressaltou a importância da valorização do meio ambiente:

 

"Empreendimento dessa magnitude torna o meio ambiente como vanguarda no Rio de janeiro na destinação dos resíduos sólidos. É um indicativo sem retorno, por certo será replicado em várias cidades", disse Justino Carvalho, cuja opinião é compartilhada pelo coordenador do Escritório de Sustentabilidade da Comlurb, José Henrique Penido. Segundo ele, "o projeto piloto vai reunir informações e criar conhecimento para que sejam instaladas posteriormente outras unidades espalhadas pelo Brasil e América Latina.

 

O professor titular do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFMG, Carlos Chernicharo, lembrou que a ideia inicial era fazer a parceria com a Companhia de Limpeza de Belo Horizonte, mas ela não conseguiu viabilizar a documentação necessária:

 

"Com o impasse criado, o BNDES propôs levarmos o projeto para o Rio de Janeiro, e o corpo técnico da Comlurb conseguiu imediatamente cumprir os trâmites burocráticos e assumiu a planta extra-seca (lixo in natura, sem qualquer tratamento prévio), que virou vitrine para a América Latina", afirmou Chernicharo.

 

A nova unidade adota a tecnologia de Túneis de Metanização de Batelada Sequenciais (TMBS), que tem se mostrado bastante eficiente em suas experiências na Europa, e é a mais adequada às condições brasileiras, já que um dos seus principais diferenciais é possibilitar o tratamento dos resíduos com elevado teor de impróprios. Os TMBS também reduzem o tempo de tratamento dos resíduos e otimizam a produção de biogás.

 




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