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Responsável pela educação especial da Rede Municipal de Ensino, o Instituto Helena Antipoff é considerado o único de referência na área em todo o país.
Criado há quase 31 anos, ele produz conhecimentos em educação especial e confecciona recursos multissensoriais que contribuem para a atualização permanente dos professores e desenvolvimento e aprendizagem dos alunos.
O IHA, com 67 profissionais, mantém nove oficinas para este fim: teatro, dança, música, informática, oficina vivencial de ajudas técnicas e pedagógicas, ginástica; artes plásticas e brinquedoteca.
Há também o Centro de Transcrição à Braille, serviço para atendimento de alunos cegos e com baixa visão.Durante as atividades nas oficinas, os professores atuam com os alunos e a intenção é pesquisar novos recursos e metodologias para o desenvolvimento deles.
Na oficina vivencial de ajudas técnicas e pedagógicas, são estudados os materiais que trazem benefícios ao aluno portador de necessidade educativa especial, em relação ao seu conforto e autonomia. As pesquisadoras observam como as crianças se saem nas atividades e que dificuldades apresentam - sobretudo de locomoção - procurando desenvolver materiais sob medida, que melhorem o desenvolvimento, a autonomia e o conforto dos alunos.
As pesquisadoras do IHA criam peças com papelão, por considerarem o material bastante maleável e um bom exemplo é a "cadeirinha de chão", produzida com uma faixa para que as crianças dos pólos de bebês e das turmas de Educação Infantil sentem-se sozinhas no chão e se entrosem umas com as outras. Outro exemplo são os encaixes de mesa para as cadeiras de rodas de deficientes físicos ficarem bem posicionadas.
O Instituto Helena Antipoff fica na Rua Mata Machado, 15, no Maracanã.
Para quem não sabe quem foi Helena Antipoff: Ela foi professora e psicóloga e desenvolveu um trabalho pioneiro com educação especial no Brasil. Nascida na Rússia, em 1892, veio para o Brasil a convite do Governo de Minas Gerais, em 1929, para participar da reforma do ensino público mineiro. A reforma, inspirada no ideário da Escola Novista, previa a criação de um Instituto de Aperfeiçoamento de Professores, dedicado à formação de normalistas e com ênfase no ensino da Psicologia.
Helena Antipoff montou um laboratório de psicologia neste centro e iniciou o estudo e a pesquisa em psicologia da educação. Com formação universitária em Paris e Genebra, vinha do Instituto Jean- Jacques Rousseau, famoso por suas pesquisas sobre aprendizagem, educação, psicologia comportamental e novos métodos educativos, que começavam a investigar como diagnosticar e, sobretudo, trabalhar com as diferenças. Helena havia lecionado, também, na Maison des Petits, anexo ao Instituto Rousseau.
Os estudos práticos do laboratório mineiro originaram importante programa de pesquisa sobre o desenvolvimento mental, ideais e interesses das crianças mineiras, produzindo testes de inteligência. A partir destas pesquisas, Helena introduziu, pela primeira vez, o termo "excepcional", ao invés de "retardado".O termo cunhado pela educadora queria eliminar o estigma. Na visão de Helena, seria possível levar ao aluno excepcional, programas de educação compensatória, que o fizessem alcançar um aprendizado mais incisivo.
Em 1932, ainda em Minas, a professora Antipoff, acompanhada por um grupo de médicos, educadores e professores, fundou e presidiu a Sociedade Pestalozzi, para promover o cuidado das crianças excepcionais.
Na década de 40, Helena era professora fundadora da cadeira de Psicologia Educacional na Universidade de Minas Gerais, de onde foi foi demitida pela ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas.
Depois, veio para o Rio, trabalhar no Ministério da Saúde, onde criou o Departamento Nacional da Criança. Em 1951, obteve a cidadania brasileira.
Considerando a escola a melhor saída para todos os males, Helena Antipoff dedicou sua vida à educação das crianças. Sempre defendeu o conceito de inteligência inovador para sua época, considerando fatores socioculturais no desenvolvimento mental.
Helena Antipoff morreu em 1974, em Belo Horizonte, readmitida e reabilitada pela UFMG.
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