Moacir, negro, pobre e isolado, 42 anos, é um pintor que vive num recanto
do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em condições de pobreza.
Humilde com problemas de audição, fala e formação óssea, um quasímodo.
Outsider Art, como Jean Dubuffet classificou na década de 50 todo artista
que se manifesta refletindo o seu universo interior, chamando a isso de
Art Brut.
Isolado numa casa com a mãe e familiares, cultivam uma lavoura de subsistência.
Ausente do mundo exterior passa o dia desenhando e pintando com lápis
de cêra o que vem de sua imaginação intrigante. Um gesto do seu inconsciente.
São desenhos de um universo particular da chapada: seres humanos, fauna
e flora, visões, religião e sexo. Figuras místicas de santos e beatos.
São visões com referências anatômicas desconhecidas carregadas de sensualidade
e erotismo. O traço do artista nos impressiona pelo primitivismo e ao
mesmo tempo pela sua extraordinária beleza.
O filme registra nosso convivio durante sete dias em sua casa, seu dia
a dia desenhando sem parar. Registamos a visita do artista plástico goiano
Siron Franco, numa espécie de confronto entre o primitivo e o moderno.
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