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CICLOVIAS CARIOCAS
LEI Nº 2.392 DE 18 DE DEZEMBRO DE 1995

Dispõe sobre o uso do sistema cicloviário, dá outras providências.
Origem: Poder Executivo
Autor : Vereador EDSON SANTOS

O PREFEITO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, faço saber que a Câmara Municipal decreta e eu sanciono a seguinte lei:

Art. 1º – Esta Lei regula o uso do sistema cicloviário, integrando-o ao sistema municipal de transporte, de modo a alcançar a utilização segura da bicicleta como veículo de transporte alternativo no atendimento às demandas de deslocamento da população.

Art. 2º – São objetivos do sistema cicloviário:
I – oferecer à população, para a opção de transporte de bicicleta em condições de segurança atendimento de suas demandas de deslocamento no espaço urbano, mediante planejamento e gestão aos outros componentes do sistema municipal de transportes, definidos na Lei Complementar n. 16, de 04 de junho de 1992 (Plano Diretor Decenal da Cidade do Rio de Janeiro);

Ciclovia Copacabana - Arquivo IPP/ Foto Cesar Duarte

II – integrar a modalidade de transporte individual não autorizado às modalidades de transporte coletivo;
III – reduzir a poluição atmosférica e sonora e o congestionamento das vias públicas por veículos automotores;
IV – promover o lazer ciclístico.

Art. 3º – Constituem o sistema cicloviário:

I – a malha básica de ciclovias, ciclofaixas e faixas compartilhadas, com traçado e dimensões de segurança adequados, bem como completa sinalização;
Os bicicletários junto aos terminais e estações das diversas modalidades de transporte coletivo de passageiros e demais pontos de afluxo servidos pela malha viária do sistema.

Art. 4º – Para os efeitos desta Lei, considera-se:

I – ciclovia: via terrestre aberta à circulação pública, caracterizada como pista pavimentada destinado ao trânsito de bicicletas, fisicamente segregada de pista destinada ao trânsito de veículo automotor por uma mureta, meio fio ou obstáculo similar, e de área destinada ao trânsito de pedestres por dispositivo semelhante ou por um desnível, configurando clara distinção a afetação especial do uso do logradouro por veículos automotores, bicicletas e pedestres;

II – ciclofaixa: via terrestre aberta à circulação pública, caracterizada como um espaço de pista de rolamento ou de calçada, destinada exclusivamente ao trânsito de bicicletas, sendo demarcada por pintura de faixas, sonorizadores ou tipo de piso;

III – faixa compartilhada: ciclovia ou ciclofaixa onde o espaço destinado ao trânsito de bicicletas é compartilhado por pedestres ou veículos automotores, de acordo com regulamentação específica;

IV – bicicletário: local equipado para estacionamento e guarda de bicicleta, como também para realização de pequenos serviços de manutenção e reparo.

Art. 5º – A construção e/ou manutenção de ciclovias, ciclofaixas e bicicletários poderão ser concedidas a particular, mediante prévio procedimento licitatório, em troca de inserções publicitárias ou institucionais no espaço cicloviário e em impressos didático-educativos relativos às regras de uso da malha , conforme regulamento específico.

Art. 6º – A utilização das ciclovias, ciclofaixas e faixas compartilhadas é gratuita, sendo vedada a cobrança de qualquer tipo de pedágio.

Art. 7º – Poderá ser cobrada tarifa de estacionamento e guarda em bicicletários situados em estações ferroviárias, hidroviárias, metroviárias, rodoviárias e pontos de ônibus, não excedente de metade do preço da tarifa do transporte coletivo correspondente.

Art. 8º – São vedados nas ciclovias e ciclofaixas:

I – O estacionamento, o tráfego, a obstrução de acesso ou a entrada de qualquer tipo de veículo motorizado, excetuando-se:

a) cadeiras de roda motorizadas utilizadas por deficientes físicos;
b) ambulância, viaturas policiais ou de defesa civil ou similares, em situações emergenciais;
c) o tráfego de veículos motorizados naquelas pistas expressamente definidas como faixa compartilhada por bicicleta e veículo motorizado.

II – a entrada e o tráfego de pedestres, excetuando-se:

a) a travessia, nas faixas correspondentes;
b) o tráfego de pedestres naquelas pistas expressamente definidas como faixa compartilhada por bicicleta e pedestre;
c) a utilização, por corredores e patinadores, das pistas onde sua presença não esteja expressamente proibida, desde que se mantenham permanentemente a passo de corrida, alinhados à sua direita, sem obstruir a ultrapassagem.

III – a utilização da pista acompanhada por animais;

IV – a utilização, por corredores e patinadores, de ciclovias situadas no interior de túneis e outras pistas onde essa proibição esteja devidamente sinalizada;

V – a entrada, o tráfego ou o estacionamento de veículo de vendedor ambulante, ou qualquer outro de tração manual, inclusive de cadeiras de rodas empurradas por pedestres, excetuando-se:

a) carrinhos de limpeza urbana;
b) cadeiras de rodas operadas pelo próprio deficiente físico.

VI – trafegar na contramão da ciclovia ou ciclofaixa;

VII – atravessar o sinal vermelho para ciclistas na faixa de pedestre ou desrespeitar a prioridade de travessia de pedestres do sinal vermelho intermitente, nos semáforos especificamente destinados aos ciclistas.

§ 1º – As vedações estabelecidas no uso das ciclovias e ciclofaixas não afastam a aplicabilidade das posturas municipais gerais, no que couber, em especial quanto à limpeza urbana.

§ 2º – As vedações estabelecidas serão devidamente sinalizadas, como condição necessária à imposição de qualquer penalidade pelo cometimento de infração.

§ 3º – A fiscalização do uso regular do sistema cicloviário poderá ser objeto de ajuste com o Estado do Rio de Janeiro, no âmbito de convênio para fiscalização do trânsito no sistema viário do Município.

Art. 9º – A inobservância das vedações estabelecidas nesta Lei sujeita o infrator às penalidades :

I – advertência oral e escrita;
II – remoção e apreensão de veículo;
III – multa, em valor nunca inferior a dez Unidades de Valor Fiscal do Município – UNIF
§ 1º – A aplicação das penalidades será graduada segundo a natureza e a gravidade da infração cometida e de suas consequências, nos termos de regulamento a ser instituído por Ato do Prefeito.

§ 2º – Além da graduação referida no parágrafo anterior, o regulamento disporá sobre procedimento recursal à instância superior, em caso de aplicação de qualquer das penalidades.

§ 3º – O recurso contra imposição da pena de multa só será recebido mediante depósito prévio do valor correspondente.

Art. 10 – Fica instituída campanha permanente de educação para o trânsito inclusive no sistema cicloviário.

Art. 11 – Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, renovadas as disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 18 de dezembro de 1995

CESAR MAIA

 

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