Marquises
são estruturas em sua maioria de concreto armado projetadas para abrigar
as pessoas da chuva, do sol e de algo que possa cair dos edifícios.
Com a correria do dia-a-dia a maioria das pessoas nem percebe que está
passando ou que está parada debaixo de uma marquise. O problema é
que algumas dessas estruturas apresentam risco de desabamento, o que pode
provocar ferimentos ou mortes.
As estruturas deste
tipo construídas em concreto armado, têm uma característica
bastante peculiar: são submetidas a esforços de flexão
junto ao apoio no lado superior. Em uma estrutura de concreto armado, os esforços
de flexão são suportados pelas barras de aço distribuídas
dentro da estrutura. No caso das marquises, as barras de aço que suportam
os esforços de flexão se localizam junto à superfície
superior da laje, que está em contato direto com os agentes externos,
ou seja, água da chuva, grande variação de temperatura,
agentes químicos presentes na atmosfera poluída, etc. O desgaste
da camada de concreto que cobre as barras de aço permite o contato
destas com os agentes externos, o que propicia o início de um processo
de corrosão do aço. Com o passar do tempo, as barras de aço
que originalmente tinham uma determinada espessura, vão diminuindo
devido à corrosão até chegar a um ponto em que a quantidade
de aço restante não é mais suficiente para resistir aos
esforços de flexão e a marquise desaba.
A
situação se agrava porque muitas pessoas insistem em instalar
pesados letreiros publicitários nas extremidades das marquises, o que
aumenta muito o carregamento e conseqüentemente os esforços de
flexão. Outro hábito que deve ser evitado é a instalação
de máquinas de condicionadores de ar, fato observado constantemente
pelas equipes que vistoriam os prédios em nossa cidade. Há ainda
um terceiro fato observado com freqüência: obras sucessivas de
impermeabilização de marquises nas quais não são
retirados os revestimentos antigos, fazendo com que a espessura das mesmas
aumente muito com o tempo, aumentando desta forma também o seu peso
próprio. Ou seja, com o passar do tempo os esforços de flexão
passam a ser maiores do que os calculados originalmente, enquanto a capacidade
das barras de aço para resistí-los diminui devido à corrosão
do aço.
O
Decreto nº 27.663 de 9 de março de 2007 proíbe a construção
de novas marquises na cidade, prevê a demolição das mesmas
em casos de reforma, modificação ou acréscimo e institui
a DSEM - Declaração de Segurança Estrutural das Marquises,
que deve ser providenciada pelo proprietário do imóvel e assinada
por um profissional habilitado e registrado no CREA – Conselho Regional
de Engenharia e Arquitetura, e renovada a cada 3 anos, para os imóveis
existentes, devendo ficar afixada em local visível nas portarias dos
prédios. Prevê ainda a demolição das marquises
pelos órgãos públicos de fiscalização nos
casos em que for constatado desgaste dos materiais ou problemas estruturais
que indiquem risco de desabamento.
O
CEPD - Centro de Estudos e Pesquisa de Desastres, órgão ligado
à COSIDEC – Coordenação do Sistema de Defesa Civil
do Município do Rio de Janeiro, vem desenvolvendo um trabalho de fiscalização
dos imóveis da APAC da Cruz Vermelha, no Centro, e tem obtido grande
sucesso na eliminação dos riscos existentes. Em casos de risco
iminente, equipes da Prefeitura providenciam a demolição da
marquise ou o seu escoramento imediato. O trabalho também é
educativo e ensina a população a verificar as suas marquises,
reduzindo assim o risco de desastres
A
responsabilidade pela manutenção de todos os elementos de um
prédio é do seu proprietário. No caso das marquises,
este deve verificar regularmente se há desplacamento do revestimento,
existência de trincas, armações expostas ou corroídas,
manchas decorrentes de infiltrações, impermeabilização
deteriorada, acúmulo de águas pluviais sobre a marquise em decorrência
de inexistência de drenos ou declividade equivocada, ou ainda deformações
visíveis na marquise. Cabe ainda lembrar que o proprietário
pode ser responsabilizado civil e criminalmente caso a marquise ou outro elemento
qualquer do seu imóvel venha a atingir terceiros.
Fique
de olho, evite os desastres. Verifique a sua marquise e fique atento quando
estiver andando pela cidade. Se vir uma marquise em mau estado de conservação,
faça contato com a Defesa Civil através do telefone 199 ou do
e-mail cosidec@rio.rj.gov.br .
Este documento foi produzido pelo CEPD – Centro de Estudos e
Pesquisa de Desastres, órgão ligado à COSIDEC –
Coordenação do Sistema de Defesa Civil do Município do
Rio de Janeiro – Janeiro de 2008