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Serviço
de Documentação Especial
Acervos
Carlos Lacerda
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Código |
Duração
da fita |
Data |
Assunto |
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CP/WC-MM/CL/FC001 |
Lado
A: 38 minutos.
Lado B: vazio. |
09/05/1991 |
Câmara
Municipal de Mangaratiba - Debates acerca de denúncia,
feita por Antônio de Barros Neto, envolvendo o vereador
Mauro Magalhães em possíveis irregularidades
na cobrança do IPTU e loteamentos nas localidades de
Angra dos Reis e Mangaratiba. |
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CP/WC-MM/CL/FC002 |
Lados
A e B:
55 minutos. |
s/d |
Trechos
do texto 'Júlio César' de William Shakespeare
- Tradução e leitura de
Carlos Lacerda. |
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CP/WC-MM/CL/FC003 |
Lados
A e B:
40 minutos |
1967 |
Lado
A e B: Discurso de uma pessoa chamada Tonico (??), cuja crítica
é dirigida ao desenvolvimento econômico existente,
à presença dos grupos estrangeiros, além
da defesa da Frente Ampla por uma pacificação
política do país, ou seja, a convocação
imediata de eleições diretas para Presidente
da República e o retorno do processo democrático.
Identifica um inimigo comum, o atraso. Menciona a participação
dos EUA no golpe e o apoio à ditadura no país,
regime gerador de atraso. Na mediada em que critica a "Revolução
de 1964", responsável pela consolidação
da oligarquia no Brasil, defende uma mudança sob a
forma da pré-candidatura do governador Carlos Lacerda
para o cargo de Deputado Federal pela UDN. |
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CP/WC-MM/CL/FC004 |
Lado
A:
23 minutos.
Lado B:
30 minutos. |
s/d |
Lado
A: No Repórter Esso tecem-se comentários acerca
da conjuntura política do governo Jango. A reportagem
critica o governo Goulart, especificamente a sua vinculação
aos ideais comunistas, a sua postura frente ao levante dos
marinheiros e ao fato de os haver anistiado, demonstrando,
segundo a matéria, sua fraqueza. A reportagem é
intercalada por trechos de discursos de João Goulart
no Automóvel Clube; Discurso de Carlos Lacerda, em
pronunciamento às emissoras de Minas, São Paulo,
Rio Grande do Sul e Ceará - pronunciamento que só
deveria ser divulgado tão-logo a revolução
fosse deflagrada. Lacerda diz atender ao apelo da Marinha
e que faria uma advertência ao povo brasileiro revelando
que o Brasil estava sendo entregue ao domínio comunista.
E, segundo Lacerda, quem o o estava entregando era o presidente
da República. Afirma que João Goulart optou,
entre a Constituição e a traição,
pela segunda, na medida em que ele procurava impor à
maioria o domínio da minoria comunista. Argumenta que
o povo não elegeu os comunistas e que, portanto, não
admitiria que eles governassem o Brasil. Comenta que João
Goulart, juntamente com os comunistas, estaria desmoralizando
todas as resistências, dividindo todas as forças
nacionais e destruindo todas as instituições
democráticas do país. Fala que a Marinha foi
um dos alvos, uma forma encontrada pelos traidores para destruir
as forças de defesa nacional. Lacerda afirma que os
comunistas - mentores de João Goulart – eram
responsáveis pela miséria do país e agravavam
as dificuldades naturais da nação para explorar
a pobreza e atirá-la contra a liberdade e a paz de
sua própria família. Ressalta que as Forças
Armadas estariam sendo desmontadas para deixar o povo inerte
e a pátria indefesa; O locutor do Repórter Esso
menciona alguns fatos da conjuntura, como a notícia
de que o General Mourão Filho tinha acabado de deflagrar
o movimento revolucionário.
Lado B: Daí por diante há uma série de
falas e trechos de discursos intercalados à narrativa
expondo os principais atores e suas iniciativas nas vésperas
do golpe de 1964. Neste sentido, encontra-se a nota fornecida
pelo general Jair Dantas Ribeiro (ministro da Guerra, comandante
das tropas governistas) e pelo general Mourão Filho,
explicando como se originou o levante, e Carlos Lacerda fazendo
apelo ao voluntariado através da rádio Roquete
Pinto e, posteriormente, lendo o manifesto dirigido ao Exército,
assinado pelos generais de Exército Arthur da Costa
e Silva, Humberto de Alencar Castelo Branco e Décio
Palmeira de Escobar explicando as razões do golpe sobre
o governo João Goulart ou a "Revolução
de 1964".Discurso de Lacerda chamando a atenção
para a tentativa de invasão do Palácio Guanabara
por parte dos marinheiros. Em seguida, tenta-se persuadir
os mesmos a se juntarem aos que fizeram o movimento de 1964,
para que não derramassem sangue de "irmãos",
de companheiros inocentes.
Lado B:
Daí por diante há uma série de falas
e trechos de discursos intercalados à narrativa. |
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CP/WC-MM/CL/FC005 |
Lado
A:
30 minutos. Lado B: 30 minutos. |
s/d |
Lado
A: Fala de Armando Falcão, numa espécie de depoimento
acerca de sua relação com Carlos Lacerda. Menciona
que se conheceram quando Lacerda foi ao Nordeste organizar
e desenvolver uma campanha para ajudar os flagelados da seca
(campanha "Ajuda teu Irmão"). Na ocasião,
trocaram impressões sobre o quadro nordestino e revelaram
uma constante relação de afinidade e divergência
decorrente de suas filiações políticas.
Uma dessas divergências ocorreu quando se criou um Inquérito
Parlamentar procurando esclarecer a destinação
maciça de verbas, feitas pelo governo de então,
para o jornal Última Hora, através do Banco
do Brasil. Frente ao irrisório orçamento dos
demais jornais, a liberdade de imprensa se tornaria um mito,
acreditava o então jornalista Carlos Lacerda. Na base
desse inquérito está o desfecho, que foi a queda
do Presidente Getúlio Vargas. Armando Falcão
fala da ocasião em que Carlos Lacerda começara
a demonstrar indisposição com relação
ao governo Castelo Branco, e que isso foi o resultado de intrigas,
de informações errôneas levadas em consideração
por ele, rompendo assim a relação com o Presidente.
E dessa ruptura, segundo Falcão, viu-se malograda a
candidatura presidencial de Carlos Lacerda. Armando Falcão
disse, ainda, que moveu grandes esforços para salvar
a candidatura do mesmo, que a estratégia era que Lacerda
ficasse em silêncio, mas que ele partiu para o ataque
ao governo. Outra desavença política existiu
entre o líder do jornal O Globo, Roberto Marinho, e
Carlos Lacerda. Mais uma vez, Armando Falcão desempenhou
o papel de reconciliador e, não obstante os esforços
para o retorno do exílio de Carlos Lacerda, em 1955,
tenha contado com a participação de Roberto
Marinho, assegura Armando Falcão, mesmo assim Lacerda
continuou com uma postura combativa com relação
ao líder do jornal O Globo. Fala, ainda, da sua vida
pública, enquanto administrador, das obras que realizou,
tais como o Guandu, o sistema de transporte de massa, a construção
de túneis e também da sua capacidade de convencimento,
de orador.
Lado B: Incompreensível. |
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CP/WC-MM/CL/FC006 |
Lados
A e B: 30 minutos. |
s/d |
Na
Assembléia Legislativa, um orador (parece ser Amaral
Peixoto) não identificado, denuncia uma série
de crimes atribuídos ao general Francisco Saraiva,
entre eles o de corrupção. Diz haver grande
perseguição aos militares opositores, denuncia
a existência de "caixinha" institucionalizadamente,
o uso indevido de verbas, além da freqüente violação
do Código Penal. Fala que a existência de tais
práticas, nas Forças Armadas, descaracteriza
a revolução. O orador destaca "uma total
ausência de princípios éticos - por parte
de Francisco Saraiva -, além de procurar enxovalhar
o Exército".-Amaral Peixoto, representante do
PSD (Partido Social Democrata) denuncia a "comunização"
do país. A critica dirigida fortemente ao Presidente
da República, João Goulart, faz menção
à presença do presidente na reunião dos
sargentos. Faz menção, também, ao Cabo
Anselmo, liderança da Marinha que estaria insuflando
a tropa contra a ordem estabelecida, ao se reunir em praça
pública em defesa do comunismo.O Deputado Saldanha
Coelho sai em defesa do presidente Goulart, dizendo que a
ida de João Goulart à assembléia dos
marinheiros era algo normal, pois a intenção
dele era levar a cabo as reformas que o Papa, quando passou
pela última vez no país, pregando melhorias
sociais segundo a ótica dos princípios cristãos,
havia sugerido. Nem por isso, diz o orador, o deputado Amaral
Peixoto considerou o papa comunista. A oposição,
portanto, era contra as reformas que João Goulart pretendia
fazer, desqualificando-as ao chamá-las de comunista. |
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CP/WC-MM/CL/FC007 |
Lados
A e B:
4 minutos. |
s/d |
Lado
A: Locutor não identificado (parece ser o Ministro
Armando Falcão) menciona o nome de Carlos Lacerda e
do presidente Costa e Silva, e fala também de uma reunião
ocorrida em sua casa (trecho de precária inteligibilidade),
que contou com a presença de cerca de 30 congressistas,
como Rafael de Oliveira Barreiras (??), Costa Cavalcanti,
Joaquim Ramos entre outros), cujo propósito não
está inteligível. Fala de uma carta do Carlos
Lacerda que foi parar nas mãos do Sarney, chefe de
gabinete do Costa e Silva.
Lado B: nada consta. |
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CP/WC-MM/CL/FC008 |
Lados
A e B: 30 minutos. |
1966 |
Lado
A: Campanha eleitoral dos candidatos do MDB (Movimento Democrático
Brasileiro), destacando a preferência e o apoio de Carlos
Lacerda aos candidatos do partido de oposição
à Ditadura civil-militar (repetição do
conteúdo ao longo dos 30 minutos).
Lado B: nada consta. |
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CP/WC-MM/CL/FC009 |
Lados
A e B. |
s/d |
Lado
A e B: Jogo entre SUDERJ e ALERJ no Maracanã. Trata-se
de um jogo de congraçamento entre as duas instituições,
e entre os nomes presentes em campo estava César Maia.
Os dois times, da SUDERJ e da ALERJ jogaram com os uniformes
dos times do Bangu e do Fluminense, respectivamente.
O jogo recebeu a cobertura da Rádio Bandeirantes e
contou com os comentários técnicos de Pedro
Paradela. Ao longo da partida, o locutor (??) fez anúncios
e propagandas de produtos e serviços. |
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CP/WC-MM/CL/FC010 |
Lado
A e B: 60 minutos |
20/03/1977 |
Lado
A:
Lacerda fala do clima político, da ação
de pessoas ligadas à presidência da República.
Diz que num desses episódios, uma pessoa chamada Euclides,
uma vez em poder da polícia, demonstrou sérios
indícios de participação na agressão
a um senador. Foi interrogado na ocasião, inclusive
com a presença de Lacerda que fez algumas perguntas,
tais como: qual o envolvimento e há quanto tempo ele
trabalhava no Palácio Guanabara. Ele, então,
confessou fazer parte da segurança pessoal do presidente
Getúlio Vargas. Heráclito Fontoura Sobral Pinto
(advogado) convocou o principal responsável pela guarda
pessoal de Getúlio para depor. Lacerda revela que havia
uma manobra por parte dos advogados da Guarda Pessoal da presidência,
propondo a incriminação individual do preso,
mas sem levar o caso ao Palácio Guanabara. Porém,
Lacerda conta que resolveu agir por conta própria e,
com a ajuda de um amigo do jornal Correio da Manhã,
conseguiu dados (fotografias) em que o homem responsável
pelos disparos contra o major Rubens Florentino Vaz aparecia
desempenhando a sua função ao lado do presidente
Vargas.
Em seguida, Lacerda fala do episódio ocorrido em 05
de agosto de 1954, que desembocou na morte do major Rubens
Vaz. Ele diz que teria que fazer uma conferência no
Externato São José e estava em companhia do
major ao serem surpreendidos por um atirador na Rua Tonelero.
Compara o temperamento de Rubens Vaz com o de outros colegas
que estavam com ele naquela ocasião. Afirma que o major
era muito moderado, que ele até ponderava para que
Lacerda baixasse o tom das críticas ao governo. Lacerda
narra em minúcias a sua versão sobre o atentado,
desde a chegada de Armando Nogueira, primeiro repórter
presente no local (por morar no próprio prédio),
à troca de tiros ocorrida entre o major Vaz e o agressor
e o próprio Lacerda atirando contra o agressor em fuga.
Conta, também, sobre a tentativa de incriminá-lo
pela morte de Vaz quando um chefe de polícia esteve
em sua casa fazendo perguntas e solicitou a sua arma, que
ele se recusou a entregar. Fala que o caso acabou envolvendo
Eduardo Gomes, da Aeronáutica, que interferiu a favor
do inquérito militar para apurar os responsáveis
pelo crime, uma vez que a arma usada na morte do major era
de uso militar, tinha um calibre específico não
autorizado para civis, além do morto ser um oficial
da instituição.
Lado B:
Lacerda segue narrando os desdobramentos (as investigações)
do episódio na Rua Tonelero. Diz que as atenções
se voltaram para a guarda pessoal de Getúlio, tendo
este, na tentativa de contornar a situação,
dissolvido-a. Fala que tomaram o depoimento de Gregório
Fortunato, mas o rumo das investigações mudou
quando levaram para o Galeão (sede do inquérito
militar) um indivíduo que, segundo Lacerda, agia como
espécie de conselheiro de Vargas. Fala que o homem
parecia ter uma vida dupla: uma, ligada ao Palácio
do Catete e outra, como respeitável membro dos moradores
de Marília. Comenta que o fato é que o depoimento
desse homem apontava para Gregório Fortunato, comprometendo-o
no caso da Rua Tonelero e que, depois de muito pressionado,
citou também o nome de Lutero Vargas. Lacerda ressalta
que antes de comprometer uma pessoa da confiança do
presidente, deixou inúmeras pistas, supostamente interessadas
também na eliminação dele. Outro nome,
que apareceu na fala de Gregório, ainda de acordo com
Lacerda, foi o do coronel Benjamim ("Benjo!") Vargas,
irmão do presidente. Lacerda ressalta que este, uma
vez intimado a depor, comunicou ao presidente. No que este
lhe respondeu: "É o fim!" |
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CP/WC-MM/CL/FC011 |
Lado
A e B: 90 minutos |
26/03/1977 |
Fita
I
Lado A (fita com o conteúdo danificado, pouco inteligível):
Carlos Lacerda narra algumas situações acerca
da personalidade do General Lott, de caráter claramente
irreverente. Diz ser uma pessoa que ousava falar dos mais
variados assuntos, com uma "conversa vertiginosa",
na opinião de Lacerda, do tipo que encadeava assuntos,
tais como cultivar macieiras em Friburgo até a guerra
sino-japonesa, ginástica sueca etc.
Em seguida Lacerda passa a falar de sua candidatura, que segundo
ele, era algo tranqüilo. Outras candidaturas apresentadas
foram as de Tenório Cavalcanti e do general Mendes
de Morais, que ele comenta, mas diz que a situação
estava mais favorável a ele. Comenta também
a relação do Juscelino Kubitschek com o general
Lott, ressaltando que Juscelino foi criando um afastamento
em relação ao general por achá-lo um
desastre, ou seja, não era bom ter seu nome vinculado
ao dele. E na medida em que se desinteressou do Lott, desempenhou
um papel democrático ao não criar barreiras
à candidatura do Jango.
Daí pra frente, Lacerda faz uma série de referências
aos planos de campanha eleitoral, dele e dos adversários.
Comenta que o cenário era o Rio de Janeiro, a Guanabara,
que nascia enquanto Estado, com interesses e demandas muito
próprios. Destacou ter estudado as outras reformas
urbanas ocorridas na cidade, no passado, pois sua campanha
levava sempre em consideração a realidade, a
cidade. Diz que não se limitava a falar de nacionalismo
ou de imperialismo, aspectos importantes, mas que tinha pouco
efeito sobre a população naquela conjuntura.
Lacerda gaba-se de ter feito uma campanha bastante elaborada,
com muitos comícios, muitos debates, em que cada qual
era dedicado a um programa: "O Rio de Janeiro e a saúde",
"O Rio de Janeiro e o transporte", etc.
Por fim, comenta a sua vitória apertada sobre Mendes
de Morais e Tenório Cavalcanti. Diferentemente do favoritismo
que Lacerda apresentava durante a campanha, o que se viu foi
uma vitória apertada.
Lado B:
Lacerda fala sobre o início de seu mandato, do apoio,
das alianças políticas e de como se articulavam
as forças da máquina governista a seu favor.
Do judiciário, diz, havia nomes que se manifestaram
claramente fazendo votos de um governo comprometido com seus
interesses, com expectativas em torno de sua gestão.
Cita o nome de Sete Câmara para debater a destinação
de verbas para obras. Disse que solicitou uma audiência
com ele e fez um apelo ao mesmo, solicitou que ele reservasse
1 milhão do orçamento existente para que ele,
Lacerda, pudesse fazer os estudos em torno do projeto da água,
uma obra que demandaria pelo menos 5 anos. Na ocasião
da posse, continua, embora Sete Câmara tivesse apresentado
um discurso de prestação de contas, de forma
muito elegante, diplomática - chegou até a reservar
parte da verba para o projeto da água -, Carlos Lacerda
relembra que choveram críticas nas escadarias mesmo
do Palácio Guanabara. Disse que "trocou farpas"
afirmando que havia uma cidade de negociatas, e que por isso
funcionário público, daquele momento em diante,
teria que trabalhar. O início do mandato foi a fase
mais difícil, porém mais compensadora, mais
gratificante segundo Lacerda. Ele pensava o poder com um senso
de "servir", por isso dizia ser a coisa mais gloriosa,
de grande alegria. Fala que lhe causava repugnância
alguém que chega ao poder e não sabe o que fazer,
desfruta apenas das honrarias e não faz nada. "O
exercício do poder como um dever cumprido", apenas
isso, nas palavras de Lacerda, pode trazer uma sensação
provisória de imortalidade. Daí pra frente comenta
a situação dos prédios públicos,
como é o caso do Palácio Guanabara, que não
pertence nem ao Estado da Guanabara, nem ao Governo Federal,
pertence à Família Imperial. Conta que essa
situação se devia, em parte, ao confisco que
se fez dos bens da Coroa na ocasião da queda do Império.
Com a revogação do banimento da família
Real, no governo Washington Luis, a situação
se modificou, o prédio pertencia à Princesa
Isabel. Menciona que o governo não tinha uma sede,
ainda que houvesse muitos prédios públicos e
que isso o incomodava, daí seu receio em morar inicialmente
no Palácio Guanabara. Comenta alguns casos de pensões
agraciadas às autoridades após os mandatos,
a seu ver, uma vergonha a existência desse tipo de expediente,
pois o povo não tem nada com isso. Lacerda menciona
o seu discurso de posse, pois este continha um dado que foi
repetido posteriormente pela Sandra Cavalcanti (a presidência
do Banco Nacional de Habitação) na frente de
Castelo Branco e Roberto Campos, que era o fato de que naquele
momento iniciava-se (não em março de 1964, mas
sim em dezembro de 1960) uma revolução pelo
conjunto de práticas e o caráter do trabalho
adotado, "uma revolução sem armas"
dava início a gestão Lacerda. Acredita ter havido
uma revolução (transformação),
uma mudança de mentalidade, uma convocação
ao povo para participar do esforço. Faz uma breve crítica
à engrenagem da administração existente,
bastante corruptível, com seus mandados de segurança
irregulares, barganhando aumento salariais como uma troca
de favores automática existente. Orgulha-se de ser
o primeiro governo, em toda história da administração
pública do país, a não perder uma causa
sequer no Judiciário. Destaca o fenômeno intitulado
"lacerdismo", em uma de suas expressões estava
a condição de "mal amada" (desfechado
pela crítica) atribuída a certas mulheres que
ficavam à sua volta, suas admiradoras assíduas.
Isso se explica, diz Lacerda, pelo fato de que nenhuma liderança,
mesmo a mais democrática, pode prescindir de carisma.
Cita, nesse sentido, Kennedy e Churchill como exemplo de figuras
capazes de impactar massas através do carisma.
Fita II
Lado A
Lacerda segue discorrendo sobre o fenômeno "lacerdismo"
e a noção de carisma. Compara a sua própria
campanha com a campanha civilista de Rui Barbosa. Fala da
sua posição anticomunista, fato este de que
não se arrepende, e, para isso, se necessário,
tomaria todas as medidas para levá-la à diante.
Diz., inclusive, que essa sua posição foi confundida
com a noção de reacionarismo. Considera o comunismo
um movimento antidemocrático, assim como os fascistas.
Falando sobre si mesmo, sobre o papel desempenhado como jornalista
frente ao país, considera-se um sujeito que pelo poder
da pena e da palavra abala instituições, uma
idéia que fez com que na França o lembrassem
como "derrubador de governos". Enquanto na França
esse epíteto revela admiração, diz Lacerda,
no Brasil a expressão é usada com sentido pejorativo.Ressalta
que esse fenômeno carismático se consolidou em
torno de sua figura na medida em que se mostrou um líder
competente, capaz de chegar cedo ao Palácio Guanabara,
supervisionar obras de helicóptero, conseguir empréstimos
com os EUA, além de transformar o Rio de Janeiro em
um canteiro de obras. Fala da transparência em torno
das licitações envolvendo empreiteiras responsáveis
pelas obras, destacou não admitir irregularidades,
envolvimento com contraventores etc..; enfatizando assim a
seriedade, a garantia que seu governo passou a mostrar. Fala
sobre o clima de intrigas, de interesses e de acusações
que o cercava. Um episódio desse tipo, destaca, foi
a imagem atribuída a si de "mata mendigos",
aliás, afirma, foi algo que correu o Brasil inteiro.
Por fim, fala da sua vocação para o poder, se
diz uma pessoa (jornalista) que gosta de fazer as coisas e
que se sente profundamente satisfeito em servir. |
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CP/WC-MM/CL/FC012 |
Lado A e B: 60 minutos |
19/03/1977 |
Lado A:
Carlos Lacerda inicia o depoimento chamando a atenção
para um outro tipo de relação, de compromisso
na gestão pública; o de ser governo entendido
não como um sistema de privilégios, mas sim
como uma forma quase de servidão, de doação.
Fala sobre o poder da comunicação no fenômeno
popular, e cita o exemplo de Getúlio Vargas e sua relação
com o operariado, já que este personificou naquele
uma série de direitos trabalhistas adquiridos. Destaca
o papel das Forças Armadas no Estado Novo, a preferência
por um candidato militar (Eurico Gaspar Dutra) e que recebesse
o apoio de Getúlio, assim as articulações
foram estrategicamente pensadas para dividir o Exército
e as Forças Armadas em geral. Menciona, inclusive,
a colaboração da UDN ao Dutra; Além disso,
fala das escolhas de candidatos à Luis Carlos Prestes,
como foi o caso de Guilherme Guinle, inicialmente; e depois,
Guilherme da Silveira Filho (Silveirinha) para senador, tudo
isso com um propósito, uma vez que os candidatos, em
alguns casos, tinham uma visão conservadora, com o
objetivo de tornar respeitável o Partido Comunista.
Entre uma dessas escolhas de Prestes, estava um prefeito de
Petrópolis (engenheiro Yedo Fiuza, com fama de honesto),
mas que depois se descobriu que o nome dele estava envolvido
em muitos escândalos, cujas denúncias partiram
do próprio Carlos Lacerda, em jornais, inviabilizando
a candidatura apoiada por Luis Carlos Prestes.
Lado B:
Segue falando sobre as eleições que levaram
Dutra à Presidência da República, da divisão
das forças, da falta de confiança dos adversários
do Estado Novo, do voto civilista contra os militares representados
no próprio Eurico G.aspar Dutra, e do outro lado havia
certa simpatia pelos comunistas representados por Prestes,
mesmo dos setores que não eram comunistas propriamente
ditos. Neste ponto, Lacerda destaca o carisma que o líder
comunista gozava naquele contexto, mas acusa-o de ser um homem
"burro". Chega a compará-lo a Jânio
Quadros, pois não soube ter o país nas suas
mãos quando a oportunidade surgira. Certa vez, narra
Lacerda, numa entrevista Prestes responde ao repórter
que, hipoteticamente numa guerra entre Brasil e Rússia,
ele (Prestes), ficaria do lado soviético. Falou também
que não tinha ligação, nunca encontrou
com Prestes, embora seu pai o conhecesse e tivesse admiração
pelo líder da Intentona Comunista (1935). Resumindo,
acredita ser Prestes um homem carismático e nada a
mais do que isso. Em seguida, Lacerda encadeia outros assuntos
até chegar no tema suicídio de Getúlio
Vargas. Aanalisa o contexto histórico e as circunstâncias
que levaram à saída de cena do presidente, principalmente
no que tange ao assassinato do oficial da aeronáutica
(major Rubens Vaz) por ordem do chefe da segurança
particular do Vargas.
Carlos Lacerda fala, também, da resistência ao
governo Dutra feita pela UDN, uma oposição que
tinha à frente o líder Virgílio Melo
Franco, e que contou com a sua adesão. O momento, segundo
seu partido, não era de união nacional. Nesse
sentido, pensa Lacerda, Dutra representava a continuidade
da máquina ditatorial. Outra corrente, diz ele, mas
de apoio ao sucessor de Vargas, era aquela encabeçada
por Otávio Mangabeira, por causa da intenção
deste em ser sucessor de Dutra, o que representaria uma forma
de retorno do poder civil. Lacerda aproveita para traçar
um perfil de Mangabeira, classificado como um "animal
político", um homem que "desprezava o dinheiro",
e que por isso, provavelmente, não gozava de confiança
junto ao empresariado nacional, suficiente para ganhar um
pleito presidencial. E, continua ele, foi um homem com essas
características que acreditou, diferentemente da UDN,
ser capaz de neutralizar a continuidade da máquina
getulista por meio do apoio à candidatura presidencial
de Eurico Gaspar Dutra. |
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