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Serviço de Documentação Especial

Acervos Carlos Lacerda

 

Código
Duração
da fita
Data
Assunto
CP/WC-MM/CL/FC001
Lado A: 38 minutos.
Lado B: vazio.
09/05/1991
Câmara Municipal de Mangaratiba - Debates acerca de denúncia, feita por Antônio de Barros Neto, envolvendo o vereador Mauro Magalhães em possíveis irregularidades na cobrança do IPTU e loteamentos nas localidades de
Angra dos Reis e Mangaratiba.
CP/WC-MM/CL/FC002
Lados A e B:
55 minutos.
s/d
Trechos do texto 'Júlio César' de William Shakespeare - Tradução e leitura de
Carlos Lacerda.
CP/WC-MM/CL/FC003
Lados A e B:
40 minutos
1967
Lado A e B: Discurso de uma pessoa chamada Tonico (??), cuja crítica é dirigida ao desenvolvimento econômico existente, à presença dos grupos estrangeiros, além da defesa da Frente Ampla por uma pacificação política do país, ou seja, a convocação imediata de eleições diretas para Presidente da República e o retorno do processo democrático. Identifica um inimigo comum, o atraso. Menciona a participação dos EUA no golpe e o apoio à ditadura no país, regime gerador de atraso. Na mediada em que critica a "Revolução de 1964", responsável pela consolidação da oligarquia no Brasil, defende uma mudança sob a forma da pré-candidatura do governador Carlos Lacerda para o cargo de Deputado Federal pela UDN.
CP/WC-MM/CL/FC004
Lado A:
23 minutos.
Lado B:
30 minutos.
s/d
Lado A: No Repórter Esso tecem-se comentários acerca da conjuntura política do governo Jango. A reportagem critica o governo Goulart, especificamente a sua vinculação aos ideais comunistas, a sua postura frente ao levante dos marinheiros e ao fato de os haver anistiado, demonstrando, segundo a matéria, sua fraqueza. A reportagem é intercalada por trechos de discursos de João Goulart no Automóvel Clube; Discurso de Carlos Lacerda, em pronunciamento às emissoras de Minas, São Paulo, Rio Grande do Sul e Ceará - pronunciamento que só deveria ser divulgado tão-logo a revolução fosse deflagrada. Lacerda diz atender ao apelo da Marinha e que faria uma advertência ao povo brasileiro revelando que o Brasil estava sendo entregue ao domínio comunista. E, segundo Lacerda, quem o o estava entregando era o presidente da República. Afirma que João Goulart optou, entre a Constituição e a traição, pela segunda, na medida em que ele procurava impor à maioria o domínio da minoria comunista. Argumenta que o povo não elegeu os comunistas e que, portanto, não admitiria que eles governassem o Brasil. Comenta que João Goulart, juntamente com os comunistas, estaria desmoralizando todas as resistências, dividindo todas as forças nacionais e destruindo todas as instituições democráticas do país. Fala que a Marinha foi um dos alvos, uma forma encontrada pelos traidores para destruir as forças de defesa nacional. Lacerda afirma que os comunistas - mentores de João Goulart – eram responsáveis pela miséria do país e agravavam as dificuldades naturais da nação para explorar a pobreza e atirá-la contra a liberdade e a paz de sua própria família. Ressalta que as Forças Armadas estariam sendo desmontadas para deixar o povo inerte e a pátria indefesa; O locutor do Repórter Esso menciona alguns fatos da conjuntura, como a notícia de que o General Mourão Filho tinha acabado de deflagrar o movimento revolucionário.
Lado B: Daí por diante há uma série de falas e trechos de discursos intercalados à narrativa expondo os principais atores e suas iniciativas nas vésperas do golpe de 1964. Neste sentido, encontra-se a nota fornecida pelo general Jair Dantas Ribeiro (ministro da Guerra, comandante das tropas governistas) e pelo general Mourão Filho, explicando como se originou o levante, e Carlos Lacerda fazendo apelo ao voluntariado através da rádio Roquete Pinto e, posteriormente, lendo o manifesto dirigido ao Exército, assinado pelos generais de Exército Arthur da Costa e Silva, Humberto de Alencar Castelo Branco e Décio Palmeira de Escobar explicando as razões do golpe sobre o governo João Goulart ou a "Revolução de 1964".Discurso de Lacerda chamando a atenção para a tentativa de invasão do Palácio Guanabara por parte dos marinheiros. Em seguida, tenta-se persuadir os mesmos a se juntarem aos que fizeram o movimento de 1964, para que não derramassem sangue de "irmãos", de companheiros inocentes.
Lado B:
Daí por diante há uma série de falas e trechos de discursos intercalados à narrativa.
CP/WC-MM/CL/FC005
Lado A:
30 minutos. Lado B: 30 minutos.
s/d
Lado A: Fala de Armando Falcão, numa espécie de depoimento acerca de sua relação com Carlos Lacerda. Menciona que se conheceram quando Lacerda foi ao Nordeste organizar e desenvolver uma campanha para ajudar os flagelados da seca (campanha "Ajuda teu Irmão"). Na ocasião, trocaram impressões sobre o quadro nordestino e revelaram uma constante relação de afinidade e divergência decorrente de suas filiações políticas. Uma dessas divergências ocorreu quando se criou um Inquérito Parlamentar procurando esclarecer a destinação maciça de verbas, feitas pelo governo de então, para o jornal Última Hora, através do Banco do Brasil. Frente ao irrisório orçamento dos demais jornais, a liberdade de imprensa se tornaria um mito, acreditava o então jornalista Carlos Lacerda. Na base desse inquérito está o desfecho, que foi a queda do Presidente Getúlio Vargas. Armando Falcão fala da ocasião em que Carlos Lacerda começara a demonstrar indisposição com relação ao governo Castelo Branco, e que isso foi o resultado de intrigas, de informações errôneas levadas em consideração por ele, rompendo assim a relação com o Presidente. E dessa ruptura, segundo Falcão, viu-se malograda a candidatura presidencial de Carlos Lacerda. Armando Falcão disse, ainda, que moveu grandes esforços para salvar a candidatura do mesmo, que a estratégia era que Lacerda ficasse em silêncio, mas que ele partiu para o ataque ao governo. Outra desavença política existiu entre o líder do jornal O Globo, Roberto Marinho, e Carlos Lacerda. Mais uma vez, Armando Falcão desempenhou o papel de reconciliador e, não obstante os esforços para o retorno do exílio de Carlos Lacerda, em 1955, tenha contado com a participação de Roberto Marinho, assegura Armando Falcão, mesmo assim Lacerda continuou com uma postura combativa com relação ao líder do jornal O Globo. Fala, ainda, da sua vida pública, enquanto administrador, das obras que realizou, tais como o Guandu, o sistema de transporte de massa, a construção de túneis e também da sua capacidade de convencimento, de orador.
Lado B: Incompreensível.
CP/WC-MM/CL/FC006
Lados A e B: 30 minutos.
s/d
Na Assembléia Legislativa, um orador (parece ser Amaral Peixoto) não identificado, denuncia uma série de crimes atribuídos ao general Francisco Saraiva, entre eles o de corrupção. Diz haver grande perseguição aos militares opositores, denuncia a existência de "caixinha" institucionalizadamente, o uso indevido de verbas, além da freqüente violação do Código Penal. Fala que a existência de tais práticas, nas Forças Armadas, descaracteriza a revolução. O orador destaca "uma total ausência de princípios éticos - por parte de Francisco Saraiva -, além de procurar enxovalhar o Exército".-Amaral Peixoto, representante do PSD (Partido Social Democrata) denuncia a "comunização" do país. A critica dirigida fortemente ao Presidente da República, João Goulart, faz menção à presença do presidente na reunião dos sargentos. Faz menção, também, ao Cabo Anselmo, liderança da Marinha que estaria insuflando a tropa contra a ordem estabelecida, ao se reunir em praça pública em defesa do comunismo.O Deputado Saldanha Coelho sai em defesa do presidente Goulart, dizendo que a ida de João Goulart à assembléia dos marinheiros era algo normal, pois a intenção dele era levar a cabo as reformas que o Papa, quando passou pela última vez no país, pregando melhorias sociais segundo a ótica dos princípios cristãos, havia sugerido. Nem por isso, diz o orador, o deputado Amaral Peixoto considerou o papa comunista. A oposição, portanto, era contra as reformas que João Goulart pretendia fazer, desqualificando-as ao chamá-las de comunista.
CP/WC-MM/CL/FC007
Lados A e B:
4 minutos.
s/d
Lado A: Locutor não identificado (parece ser o Ministro Armando Falcão) menciona o nome de Carlos Lacerda e do presidente Costa e Silva, e fala também de uma reunião ocorrida em sua casa (trecho de precária inteligibilidade), que contou com a presença de cerca de 30 congressistas, como Rafael de Oliveira Barreiras (??), Costa Cavalcanti, Joaquim Ramos entre outros), cujo propósito não está inteligível. Fala de uma carta do Carlos Lacerda que foi parar nas mãos do Sarney, chefe de gabinete do Costa e Silva.
Lado B: nada consta.
CP/WC-MM/CL/FC008
Lados A e B: 30 minutos.
1966
Lado A: Campanha eleitoral dos candidatos do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), destacando a preferência e o apoio de Carlos Lacerda aos candidatos do partido de oposição à Ditadura civil-militar (repetição do conteúdo ao longo dos 30 minutos).
Lado B: nada consta.
CP/WC-MM/CL/FC009
Lados A e B.
s/d
Lado A e B: Jogo entre SUDERJ e ALERJ no Maracanã. Trata-se de um jogo de congraçamento entre as duas instituições, e entre os nomes presentes em campo estava César Maia. Os dois times, da SUDERJ e da ALERJ jogaram com os uniformes dos times do Bangu e do Fluminense, respectivamente.
O jogo recebeu a cobertura da Rádio Bandeirantes e contou com os comentários técnicos de Pedro Paradela. Ao longo da partida, o locutor (??) fez anúncios e propagandas de produtos e serviços.
CP/WC-MM/CL/FC010
Lado A e B: 60 minutos
20/03/1977
Lado A:
Lacerda fala do clima político, da ação de pessoas ligadas à presidência da República. Diz que num desses episódios, uma pessoa chamada Euclides, uma vez em poder da polícia, demonstrou sérios indícios de participação na agressão a um senador. Foi interrogado na ocasião, inclusive com a presença de Lacerda que fez algumas perguntas, tais como: qual o envolvimento e há quanto tempo ele trabalhava no Palácio Guanabara. Ele, então, confessou fazer parte da segurança pessoal do presidente Getúlio Vargas. Heráclito Fontoura Sobral Pinto (advogado) convocou o principal responsável pela guarda pessoal de Getúlio para depor. Lacerda revela que havia uma manobra por parte dos advogados da Guarda Pessoal da presidência, propondo a incriminação individual do preso, mas sem levar o caso ao Palácio Guanabara. Porém, Lacerda conta que resolveu agir por conta própria e, com a ajuda de um amigo do jornal Correio da Manhã, conseguiu dados (fotografias) em que o homem responsável pelos disparos contra o major Rubens Florentino Vaz aparecia desempenhando a sua função ao lado do presidente Vargas.
Em seguida, Lacerda fala do episódio ocorrido em 05 de agosto de 1954, que desembocou na morte do major Rubens Vaz. Ele diz que teria que fazer uma conferência no Externato São José e estava em companhia do major ao serem surpreendidos por um atirador na Rua Tonelero. Compara o temperamento de Rubens Vaz com o de outros colegas que estavam com ele naquela ocasião. Afirma que o major era muito moderado, que ele até ponderava para que Lacerda baixasse o tom das críticas ao governo. Lacerda narra em minúcias a sua versão sobre o atentado, desde a chegada de Armando Nogueira, primeiro repórter presente no local (por morar no próprio prédio), à troca de tiros ocorrida entre o major Vaz e o agressor e o próprio Lacerda atirando contra o agressor em fuga. Conta, também, sobre a tentativa de incriminá-lo pela morte de Vaz quando um chefe de polícia esteve em sua casa fazendo perguntas e solicitou a sua arma, que ele se recusou a entregar. Fala que o caso acabou envolvendo Eduardo Gomes, da Aeronáutica, que interferiu a favor do inquérito militar para apurar os responsáveis pelo crime, uma vez que a arma usada na morte do major era de uso militar, tinha um calibre específico não autorizado para civis, além do morto ser um oficial da instituição.
Lado B:
Lacerda segue narrando os desdobramentos (as investigações) do episódio na Rua Tonelero. Diz que as atenções se voltaram para a guarda pessoal de Getúlio, tendo este, na tentativa de contornar a situação, dissolvido-a. Fala que tomaram o depoimento de Gregório Fortunato, mas o rumo das investigações mudou quando levaram para o Galeão (sede do inquérito militar) um indivíduo que, segundo Lacerda, agia como espécie de conselheiro de Vargas. Fala que o homem parecia ter uma vida dupla: uma, ligada ao Palácio do Catete e outra, como respeitável membro dos moradores de Marília. Comenta que o fato é que o depoimento desse homem apontava para Gregório Fortunato, comprometendo-o no caso da Rua Tonelero e que, depois de muito pressionado, citou também o nome de Lutero Vargas. Lacerda ressalta que antes de comprometer uma pessoa da confiança do presidente, deixou inúmeras pistas, supostamente interessadas também na eliminação dele. Outro nome, que apareceu na fala de Gregório, ainda de acordo com Lacerda, foi o do coronel Benjamim ("Benjo!") Vargas, irmão do presidente. Lacerda ressalta que este, uma vez intimado a depor, comunicou ao presidente. No que este lhe respondeu: "É o fim!"
CP/WC-MM/CL/FC011
Lado A e B: 90 minutos
26/03/1977
Fita I
Lado A (fita com o conteúdo danificado, pouco inteligível):
Carlos Lacerda narra algumas situações acerca da personalidade do General Lott, de caráter claramente irreverente. Diz ser uma pessoa que ousava falar dos mais variados assuntos, com uma "conversa vertiginosa", na opinião de Lacerda, do tipo que encadeava assuntos, tais como cultivar macieiras em Friburgo até a guerra sino-japonesa, ginástica sueca etc.
Em seguida Lacerda passa a falar de sua candidatura, que segundo ele, era algo tranqüilo. Outras candidaturas apresentadas foram as de Tenório Cavalcanti e do general Mendes de Morais, que ele comenta, mas diz que a situação estava mais favorável a ele. Comenta também a relação do Juscelino Kubitschek com o general Lott, ressaltando que Juscelino foi criando um afastamento em relação ao general por achá-lo um desastre, ou seja, não era bom ter seu nome vinculado ao dele. E na medida em que se desinteressou do Lott, desempenhou um papel democrático ao não criar barreiras à candidatura do Jango.
Daí pra frente, Lacerda faz uma série de referências aos planos de campanha eleitoral, dele e dos adversários. Comenta que o cenário era o Rio de Janeiro, a Guanabara, que nascia enquanto Estado, com interesses e demandas muito próprios. Destacou ter estudado as outras reformas urbanas ocorridas na cidade, no passado, pois sua campanha levava sempre em consideração a realidade, a cidade. Diz que não se limitava a falar de nacionalismo ou de imperialismo, aspectos importantes, mas que tinha pouco efeito sobre a população naquela conjuntura. Lacerda gaba-se de ter feito uma campanha bastante elaborada, com muitos comícios, muitos debates, em que cada qual era dedicado a um programa: "O Rio de Janeiro e a saúde", "O Rio de Janeiro e o transporte", etc.
Por fim, comenta a sua vitória apertada sobre Mendes de Morais e Tenório Cavalcanti. Diferentemente do favoritismo que Lacerda apresentava durante a campanha, o que se viu foi uma vitória apertada.
Lado B:
Lacerda fala sobre o início de seu mandato, do apoio, das alianças políticas e de como se articulavam as forças da máquina governista a seu favor. Do judiciário, diz, havia nomes que se manifestaram claramente fazendo votos de um governo comprometido com seus interesses, com expectativas em torno de sua gestão. Cita o nome de Sete Câmara para debater a destinação de verbas para obras. Disse que solicitou uma audiência com ele e fez um apelo ao mesmo, solicitou que ele reservasse 1 milhão do orçamento existente para que ele, Lacerda, pudesse fazer os estudos em torno do projeto da água, uma obra que demandaria pelo menos 5 anos. Na ocasião da posse, continua, embora Sete Câmara tivesse apresentado um discurso de prestação de contas, de forma muito elegante, diplomática - chegou até a reservar parte da verba para o projeto da água -, Carlos Lacerda relembra que choveram críticas nas escadarias mesmo do Palácio Guanabara. Disse que "trocou farpas" afirmando que havia uma cidade de negociatas, e que por isso funcionário público, daquele momento em diante, teria que trabalhar. O início do mandato foi a fase mais difícil, porém mais compensadora, mais gratificante segundo Lacerda. Ele pensava o poder com um senso de "servir", por isso dizia ser a coisa mais gloriosa, de grande alegria. Fala que lhe causava repugnância alguém que chega ao poder e não sabe o que fazer, desfruta apenas das honrarias e não faz nada. "O exercício do poder como um dever cumprido", apenas isso, nas palavras de Lacerda, pode trazer uma sensação provisória de imortalidade. Daí pra frente comenta a situação dos prédios públicos, como é o caso do Palácio Guanabara, que não pertence nem ao Estado da Guanabara, nem ao Governo Federal, pertence à Família Imperial. Conta que essa situação se devia, em parte, ao confisco que se fez dos bens da Coroa na ocasião da queda do Império. Com a revogação do banimento da família Real, no governo Washington Luis, a situação se modificou, o prédio pertencia à Princesa Isabel. Menciona que o governo não tinha uma sede, ainda que houvesse muitos prédios públicos e que isso o incomodava, daí seu receio em morar inicialmente no Palácio Guanabara. Comenta alguns casos de pensões agraciadas às autoridades após os mandatos, a seu ver, uma vergonha a existência desse tipo de expediente, pois o povo não tem nada com isso. Lacerda menciona o seu discurso de posse, pois este continha um dado que foi repetido posteriormente pela Sandra Cavalcanti (a presidência do Banco Nacional de Habitação) na frente de Castelo Branco e Roberto Campos, que era o fato de que naquele momento iniciava-se (não em março de 1964, mas sim em dezembro de 1960) uma revolução pelo conjunto de práticas e o caráter do trabalho adotado, "uma revolução sem armas" dava início a gestão Lacerda. Acredita ter havido uma revolução (transformação), uma mudança de mentalidade, uma convocação ao povo para participar do esforço. Faz uma breve crítica à engrenagem da administração existente, bastante corruptível, com seus mandados de segurança irregulares, barganhando aumento salariais como uma troca de favores automática existente. Orgulha-se de ser o primeiro governo, em toda história da administração pública do país, a não perder uma causa sequer no Judiciário. Destaca o fenômeno intitulado "lacerdismo", em uma de suas expressões estava a condição de "mal amada" (desfechado pela crítica) atribuída a certas mulheres que ficavam à sua volta, suas admiradoras assíduas. Isso se explica, diz Lacerda, pelo fato de que nenhuma liderança, mesmo a mais democrática, pode prescindir de carisma. Cita, nesse sentido, Kennedy e Churchill como exemplo de figuras capazes de impactar massas através do carisma.
Fita II
Lado A
Lacerda segue discorrendo sobre o fenômeno "lacerdismo" e a noção de carisma. Compara a sua própria campanha com a campanha civilista de Rui Barbosa. Fala da sua posição anticomunista, fato este de que não se arrepende, e, para isso, se necessário, tomaria todas as medidas para levá-la à diante. Diz., inclusive, que essa sua posição foi confundida com a noção de reacionarismo. Considera o comunismo um movimento antidemocrático, assim como os fascistas.
Falando sobre si mesmo, sobre o papel desempenhado como jornalista frente ao país, considera-se um sujeito que pelo poder da pena e da palavra abala instituições, uma idéia que fez com que na França o lembrassem como "derrubador de governos". Enquanto na França esse epíteto revela admiração, diz Lacerda, no Brasil a expressão é usada com sentido pejorativo.Ressalta que esse fenômeno carismático se consolidou em torno de sua figura na medida em que se mostrou um líder competente, capaz de chegar cedo ao Palácio Guanabara, supervisionar obras de helicóptero, conseguir empréstimos com os EUA, além de transformar o Rio de Janeiro em um canteiro de obras. Fala da transparência em torno das licitações envolvendo empreiteiras responsáveis pelas obras, destacou não admitir irregularidades, envolvimento com contraventores etc..; enfatizando assim a seriedade, a garantia que seu governo passou a mostrar. Fala sobre o clima de intrigas, de interesses e de acusações que o cercava. Um episódio desse tipo, destaca, foi a imagem atribuída a si de "mata mendigos", aliás, afirma, foi algo que correu o Brasil inteiro. Por fim, fala da sua vocação para o poder, se diz uma pessoa (jornalista) que gosta de fazer as coisas e que se sente profundamente satisfeito em servir.
CP/WC-MM/CL/FC012
Lado A e B: 60 minutos
19/03/1977
Lado A:
Carlos Lacerda inicia o depoimento chamando a atenção para um outro tipo de relação, de compromisso na gestão pública; o de ser governo entendido não como um sistema de privilégios, mas sim como uma forma quase de servidão, de doação. Fala sobre o poder da comunicação no fenômeno popular, e cita o exemplo de Getúlio Vargas e sua relação com o operariado, já que este personificou naquele uma série de direitos trabalhistas adquiridos. Destaca o papel das Forças Armadas no Estado Novo, a preferência por um candidato militar (Eurico Gaspar Dutra) e que recebesse o apoio de Getúlio, assim as articulações foram estrategicamente pensadas para dividir o Exército e as Forças Armadas em geral. Menciona, inclusive, a colaboração da UDN ao Dutra; Além disso, fala das escolhas de candidatos à Luis Carlos Prestes, como foi o caso de Guilherme Guinle, inicialmente; e depois, Guilherme da Silveira Filho (Silveirinha) para senador, tudo isso com um propósito, uma vez que os candidatos, em alguns casos, tinham uma visão conservadora, com o objetivo de tornar respeitável o Partido Comunista. Entre uma dessas escolhas de Prestes, estava um prefeito de Petrópolis (engenheiro Yedo Fiuza, com fama de honesto), mas que depois se descobriu que o nome dele estava envolvido em muitos escândalos, cujas denúncias partiram do próprio Carlos Lacerda, em jornais, inviabilizando a candidatura apoiada por Luis Carlos Prestes.
Lado B:
Segue falando sobre as eleições que levaram Dutra à Presidência da República, da divisão das forças, da falta de confiança dos adversários do Estado Novo, do voto civilista contra os militares representados no próprio Eurico G.aspar Dutra, e do outro lado havia certa simpatia pelos comunistas representados por Prestes, mesmo dos setores que não eram comunistas propriamente ditos. Neste ponto, Lacerda destaca o carisma que o líder comunista gozava naquele contexto, mas acusa-o de ser um homem "burro". Chega a compará-lo a Jânio Quadros, pois não soube ter o país nas suas mãos quando a oportunidade surgira. Certa vez, narra Lacerda, numa entrevista Prestes responde ao repórter que, hipoteticamente numa guerra entre Brasil e Rússia, ele (Prestes), ficaria do lado soviético. Falou também que não tinha ligação, nunca encontrou com Prestes, embora seu pai o conhecesse e tivesse admiração pelo líder da Intentona Comunista (1935). Resumindo, acredita ser Prestes um homem carismático e nada a mais do que isso. Em seguida, Lacerda encadeia outros assuntos até chegar no tema suicídio de Getúlio Vargas. Aanalisa o contexto histórico e as circunstâncias que levaram à saída de cena do presidente, principalmente no que tange ao assassinato do oficial da aeronáutica (major Rubens Vaz) por ordem do chefe da segurança particular do Vargas.
Carlos Lacerda fala, também, da resistência ao governo Dutra feita pela UDN, uma oposição que tinha à frente o líder Virgílio Melo Franco, e que contou com a sua adesão. O momento, segundo seu partido, não era de união nacional. Nesse sentido, pensa Lacerda, Dutra representava a continuidade da máquina ditatorial. Outra corrente, diz ele, mas de apoio ao sucessor de Vargas, era aquela encabeçada por Otávio Mangabeira, por causa da intenção deste em ser sucessor de Dutra, o que representaria uma forma de retorno do poder civil. Lacerda aproveita para traçar um perfil de Mangabeira, classificado como um "animal político", um homem que "desprezava o dinheiro", e que por isso, provavelmente, não gozava de confiança junto ao empresariado nacional, suficiente para ganhar um pleito presidencial. E, continua ele, foi um homem com essas características que acreditou, diferentemente da UDN, ser capaz de neutralizar a continuidade da máquina getulista por meio do apoio à candidatura presidencial de Eurico Gaspar Dutra.



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