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ORIGEM

A origem do AGCRJ remonta à época da refundação da cidade, por Mem de Sá, no morro do Castelo em 1567, quando foi constituído o Arquivo da Câmara Municipal. Esse Arquivo tinha como finalidade guardar a documentação gerada e acumulada pela Câmara, que, obedecendo à legislação portuguesa, desempenhava tanto funções legislativas quanto executivas na administração da "muito leal e heróica cidade do Rio de Janeiro".

No século XVIII, com o crescimento da cidade, a Câmara Municipal passou a deliberar sobre uma gama mais vasta de assuntos. Portanto, passou a produzir uma documentação mais abundante e mais diversificada. Em 1790, um incêndio criminoso dessa Casa destruiu grande parte do seu acervo arquivístico. Entretanto, os vereadores determinaram que fossem feitas cópias dos documentos relativos à municipalidade, existentes em outros órgãos administrativos, conseguindo reconstituir uma parte da documentação perdida, especialmente os registros de terras, alvos principais do incêndio, por que esclarecem questões sobre a propriedade de terrenos e imóveis em várias regiões da cidade.

SÉCULO XIX

No século XIX, após a instalação da corte portuguesa no Rio de Janeiro, a Câmara Municipal passou a dividir suas atribuições com os Intendentes Gerais de Polícia. Essa mudança acarretou modificações na natureza e nas espécies documentais produzidas tanto pela Câmara, quanto pela Intendência de Polícia. Contudo, toda a documentação continuou a ser guardada pelo Arquivo da Câmara.

Em 1825, foi inaugurado o primeiro Paço Municipal para sediar a Câmara Municipal, onde passou a funcionar, também, o seu Arquivo. Esse prédio localizava-se no campo da Aclamação, atual praça da República, entre as antigas ruas do Sabão e de São Pedro, extintas para a abertura da avenida Presidente Vargas. Demolido em 1856, em seu lugar foi construído um novo prédio, mais amplo, para melhor alojar os vereadores e repartições públicas da cidade.

Em 1882, foi finalmente inaugurado o segundo Paço Municipal, pelo imperador D. Pedro II e por outras autoridades, com grande solenidade. Nele voltaram a se instalar os vereadores da cidade.

No período republicano, após a promulgação da nova Lei Orgânica Municipal, em 1892, que alterou a organização político-administrativa da cidade, separando os poderes executivo e legislativo, o Paço Municipal passou a sediar o Conselho de Intendentes (Poder Legislativo) e a Prefeitura da Cidade (Poder Executivo), até 1897, quando o Conselho de Intendentes foi transferido para o prédio da antiga Escola São José, no largo da Mãe do Bispo, a atual praça Floriano. Entretanto, desde 1892, o Arquivo da Câmara foi transferido para o âmbito do Poder Executivo municipal, continuando a funcionar nas dependências do Paço, integrando uma das suas Diretorias.

A partir do Decreto nº 44, de 5 de agosto de 1893, sua denominação foi alterada para Arquivo Geral da Prefeitura do Distrito Federal, assumindo a competência de gerir e preservar a documentação produzida e acumulada pelos diversos órgãos e repartições do executivo municipal. Mas, logo a seguir, o Arquivo foi rebaixado na escala administrativa, permanecendo em situação de subordinação que o impediu de cumprir eficazmente suas atribuições. Daí em diante, passou por sucessivas mudanças de denominação, de subordinação e de localização, funcionando, muitas vezes precariamente, em instalações inadequadas.

 


SÉCULO XX

No final da segunda década do século XX, o Arquivo do Distrito Federal foi reorganizado como repartição independente, sob a direção do eminente historiador Noronha Santos, que procedeu ao primeiro tratamento técnico de identificação, classificação e arranjo do seu acervo documental. A partir dessa época, a quantidade de documentos que passou a ser custodiada pelo órgão se multiplicou, devido à expansão da própria cidade e ao surgimento de novas espécies documentais, tais como fotografias, filmes e discos.

Porém, a partir de 1938, com a publicação do Decreto nº 836, tornou-se um mero Serviço, da Diretoria de Interior da Prefeitura do Distrito Federal. Em 1940, o Decreto nº 620 transferiu o Arquivo para a Secretaria Municipal de Educação e Cultura, com a designação de Serviço de Arquivo Geral.

Entre as décadas de 1940 e 1960, o Arquivo do Distrito Federal permaneceu como órgão da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, subordinado ao Departamento de História e Documentação. Essa situação se constituiu, mais uma vez, em um obstáculo para que o órgão pudesse cumprir com sua função de gerir e preservar a documentação permanente produzida pelo Poder Executivo municipal, pois perdeu poder na escala hierárquica da administração. Uma das conseqüências dessa subordinação administrativa foi o extravio de muitos conjuntos documentais importantes, produzidos pelos diferentes órgãos e repartições da Prefeitura da Cidade nesse período.

Todas as transformações político-administrativas ocorridas no Rio de Janeiro, entre 1960 e 1975, como a transferência da capital federal para Brasília e a criação do estado da Guanabara, também contribuíram para dispersar e extraviar os documentos oficiais produzidos nessa época.

Em 1963, por decreto do governador do estado da Guanabara, passou a ser denominado de Serviço de Arquivo Histórico, mas foi mantido subordinado à Divisão do Patrimônio Histórico e Artístico da Secretaria Estadual de Educação e Cultura.

Em 1975, depois da fusão dos antigos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, quando a cidade tornou-se capital do novo estado do Rio de Janeiro e voltou à condição de município, sua denominação foi mudada para Arquivo Municipal, mas permaneceu subordinado ao Departamento Geral de Cultura da Secretaria Municipal de Educação e Cultura.

O Decreto nº2.053, publicado em 6 de março de 1979, restabeleceu a denominação de Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, porém o manteve subordinado ao Departamento Geral de Cultura da Secretaria Municipal de Educação. Nesse mesmo ano, foram realizadas as obras para a construção do seu prédio-sede. A retomada da denominação Arquivo Geral pretendeu restabelecer as funções originais do órgão, que voltou a ser encarregado da gestão e da preservação de toda a documentação de valor permanente produzida pela municipalidade.

 

SÉCULO XXI

De fato, porém a pretensão de restabelecer as competências originais do AGCRJ não se concretizou naquela época. Apenas recentemente, o prefeito, por meio do Decreto nº 20.113, de 25 de junho de 2001, determinou que o órgão se tornasse o gestor da política de arquivos e do sistema de memória da cidade.

A partir de janeiro de 2003, com a publicação do Decreto nº 22.615, o AGCRJ passou a ter as competências de elaborar, implantar e acompanhar a execução da Política Municipal de Arquivos Públicos e Privados, no âmbito do Poder Executivo municipal e de fazer a gestão documental dos órgãos e entidades da administração pública municipal.

Por Política Municipal de Arquivos Públicos e Privados entende-se o conjunto de objetivos, princípios, diretrizes e programas elaborados e executados pelo Poder Executivo municipal, de forma a garantir a gestão, a preservação, o acesso aos documentos públicos municipais e a proteção especial a arquivos privados de interesse público para a cidade.

 
 

Foto do Primeiro Paço Municipal

Primeiro Paço Municipal
(1825-1856)
Cartão Postal, s.d., s.a.

Foto Paço Municipal (1875-1944). AGCRJ

Segundo Paço Municipal
(1882-1945)
Fotografia, s.d., Augusto Malta

Foto do Prédio-sede do AGCRJ
Prédio-sede do AGCRJ
(1979-2004)
Fotografia, s.d., Marco Bellandi


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